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E essa Lotus, hein?
Quem diria. A Lotus, para mim, desencantou nesta quarta etapa da Fórmula 1. Cravou os segundo e terceiro lugares, com Kimi Raikkonen e Romain Grosjean. É demais para mim…
É demais porque a Lotus não é Lotus. É uma Genii que brigou com o Tony Fernandes para manter o nome legendário, ganhou a disputa, e há duas provas perdeu o apoio da Lotus. Mas mantém o Lotus, pelo menos nesta temporada, como nome.
Também é demais porque o Raikkonen, ao que se vê, não esqueceu como pilotar – nem como vencer. O cara é bom. Não está nem aí. Fala pouco e dirige demais. Retiro um pouco do que eu disse quando ele foi campeão em 2007 – não achava ele um piloto para levantar canecos. É, sim, um campeão. E está mostrando isso agora. Pelo menos a mim.
Sobre o Grosjean, tenho que dizer que o problema dele era o cabelão. Não fez nada direito quando tinha aquele cabelo gigante. Foi ser defenestrado da F1, ficar um ano na GP2 e cortar o cabelo. Voltou e está andando bem o rapaz. A Lotus fez muito bem em escolhê-lo – e a grana dele – em vez do Bruno Senna.
Esta foi a primeira prova que vi por completo. As outras, por serem de madrugada, me afastaram. Minha cama é mais gostosa que ficar plantado na frente da televisão. Muitas disputas, muitas ultrapassagens, um Senna que também está me fazendo repensar um pouco das críticas e um Felipe Massa que só reforça as críticas.
Enfim, sem muito o que falar. Só que essa Lotus, logo, logo, vai ganhar uma. Ou duas. Uma para cada piloto.
Felipe Massa deveria reavaliar algumas posições

O brasileiro da Ferrari, que há duas temporadas não faz nada de útil, recomendou Barrichello a se aposentar
Nunca neguei: sou fã do Rubens Barrichello. O considero um dos melhores pilotos da Fórmula 1. É um dos poucos que sabem guiar debaixo de chuva. O único problema do brasileiro, há quase 20 anos na categoria, é falar demais. Sempre a nova equipe dará condições de ser campeão, nunca será o segundo piloto, entre outras pérolas. Mas o cara tem, sim, ainda muito gás para permanecer na Fórmula 1 por mais um ano, no mínimo.
Por isso causa uma certa irritaçãozinha básica o depoimento de Felipe Massa (Ferrari). Em entrevista coletiva, disse que aconselhou o compatriota a se aposentar da categoria neste fim de semana, depois do GP do Brasil. Reconhece a competência de Barrichello e a força de vontade, apesar da idade, mas fala o óbvio: o brasileiro eterno vice-campeão terá dificuldades para conseguir patrocínio.
Isso é verdade. Barrichello, durante muito tempo, competiu só com salário. Não levava patrocínio para equipe alguma. Mas as coisas mudaram a partir de 2009, quando entrou na Brawn. Fã declarado do Corinthians, conseguiu o apoio da Bozzano para o GP do Brasil, mostrando que, se quiser, pode sim conseguir um apoiador. O brasileiro tem carisma e mostrou para todo mundo a que veio – e está muito além de ficar atrás dos companheiros de equipe.
Quem tem que pensar, seriamente, em aposentadoria é Massa. O único momento de glória deste brasileiro foi em 2008, quando quase conquistou o título mais por burradas de Lewis Hamilton e seu McLaren do que por brilhantismo. Prova disso são as corridas apáticas que faz: quando está bem, faz uma boa apresentação no início da corrida e depois diminui o ritmo. Falta fôlego. Nem a Ferrari o quer e só insiste sabe-se lá por que. Talvez porque Sebastian Vettel não pense em sair da Red Bull.?

O aconselhado Barrichello, quando na Ferrari, fez muito mais do que o aconselhador Felipe Massa e está próximo de ser contratado pela Lotus
Por isso, o título desse texto. Entre os dois brasileiros, fico com o Barrichello. Não tanto pela admiração, mas pelos feitos. Não é qualquer um que conquista títulos em todas as categorias de base, domina corridas e nunca ficou um ano sem competir na categoria. Fora que a Renault, futura Lotus, deixa implícito a preferência por Barrichello. Já o Massa, terá que se contentar com uma Hispania ou Marussia se sair da vermelhinha…



