Opções para Barrichello

O brasileiro mais velho na Fórmula 1, Rubens Barrichello, parece estar com os dias contados na categoria. Embora um colega meu de trabalho acredite que o cara que mais guiou provas só nesses monopostos renove com a Williams até o fim da temporada, eu mantenho o ceticismo. Infelizmente, parece que deu para o brasileiro e mais digno seria sair da categoria com a cabeça erguida.

Lutar, como fez em 2009, e conseguir uma vaguinha ao sol numa Brawn da vida é difícil. É como dizem os repetidores de ditados: “um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar”.

Por isso, tirei uns cinco minutos da minha vida para que traçar umas opções ao Barrichello, o eterno brasileiro incompreendido pelos conterrâneos, caso a aposentadoria nem tão precoce seja realmente consolidada.

Professor de kart

'O da direita acelera e o da esquerda freita, ok?'

'O da direita acelera e o da esquerda freita, ok?'

Barrichello foi um dos melhores pilotos de kart do mundo. É respeitado mundo afora e realiza, sabe-se lá desde quando, o Barrichello Kart Day. Também foi vitorioso em uma das edições do Desafio das Estrelas. Então, que tal repassar aos demais – não apenas aos filhos – o que sabe sobre este pequeno monoposto e, assim, fazer nossos kartistas não serem só mais aqueles que sentam e aceleram?

Comentarista esportivo

Desde que Barrichello não incorpore o Müller e fale coisas óbvias, como 'ele acelerou com o pé', tá valendo

Desde que Barrichello não incorpore o Müller e fale coisas óbvias, como 'ele acelerou com o pé', tá valendo

Ele adora falar. Todo mundo sabe. Nem sempre são palavras inteligentes, principalmente no pós-corrida ruim. Mas, quem sabe, não aproveita o carinho todo que Galvão Bueno tem por ele e faz assim como o Burti: comenta algumas provas aqui e ali. É só controlar a língua – ou o produtor cortar o microfone.

Piloto da Stock Car

Carro já tem. Ok, é para o jogo da Stock Car, mas já é alguma coisa

Carro já tem. Ok, é para o jogo da Stock Car, mas já é alguma coisa

Para quem se animou a criar um carrinho para o jogo da Stock Car, está aí uma bela pedida. Não tem o charme dos monopostos, mas voltar para o Brasil e mostrar aos demais sobre toda a sua capacidade e, quem sabe assim, ganhar um título depois desses quase 20 anos conquistando só 11 vitórias na Fórmula 1 – uso o “só” porque capacidade e carro ele tinha até cinco anos atrás.

Ir para os EUA

Para os desavisados, até parece o Barrichello na Indy, mas não, era só o Tony Kanaan fazendo uma homenagem em 2006

Para os desavisados, até parece o Barrichello na Indy, mas não, era só o Tony Kanaan fazendo uma homenagem em 2006

É monoposto. A maioria das provas ocorrem nos Estados Unidos. Carros iguais para todo mundo, só com os motores e algumas outras peças diferentes. Cada vez menos prova em oval. Mais uma chance para tentar um título interessante, né? E fora do país, já que brasileiro só considera bom aqueles que ganham algo lá fora.

Jogar golf

Jogo de véio pobre é canastra. De véio rico é golf

Jogo de véio pobre é canastra. De véio rico é golf

Fazer programa de velho. É isso que velhos fazem. Então, Barrichello, que tal? Pinta já tem. Tiger Woods que se cuide.

Drops do fim de semana (sem hífem)

Como hoje foi um dia de descansar após uma viagem longa de duas horas e pouco tempo para dormir antes de pegar um carro – isso foi resolvido à tarde -, vamos a um pequeno drops sobre o que aconteceu.

Stock Car

O carioca Cacá Bueno largará na frente, em Santa Cruz do Sul. O piloto da Red Bull fez 1min21.405, contra 1min21.451, do terror do Marcas e Pilotos, o paraíba Valdeno Brito. O atual campeão, Max Wilson, largará na sexta posição.

Copa Montana

Rafael Daniel foi o mais rápido na classificação e enfiou 3 décimos em Wellington Justino. Os dois, mais Galid Osman, foram os únicos que conseguiram ficar abaixo de 1min24 segundos. Como será a prova? Não sei. Liga a televisão e assiste na Speed Channel.

Quase lá

Por pouco a Stock Car não voltou a ter um gaúcho na categoria. O piloto Matheus Stumpf, de Caxias do Sul, estava quase assinado com a Scuderia 111. Mas a falta de verba inviabilizou a tentativa do guri. Agora, ele tenta juntar uma graninha esperta – cerca de R$ 30 mil – para poder garantir a vaga na etapa final da competição, no dia 6 de novembro, conhecido também como “aniversário do editor do Cockpit Gaúcho”.

Ferdinands no Rio

E os Fuscas potentes desembarcam no Rio de Janeiro. Neste fim de semana o autódromo de Jacarepaguá receberá as provas da Porsche GT3 Cup Challenge Brasil (agora respira fundo… pronto. Na verdade, elas ocorrem no sábado, mas a gente coloca fim de semana para ficar mais bonito.

As categorias Cup e Challenge entram na reta final do certame e estão indefinidas. Na primeira, o líder é Constantino Junior, seguido pela dupla dinâmica Ricardo Baptista e Clemente Lunardi. O Ex-piloto da Minardi e da Tyrrel de Fórmula 1 está contundido, pois não conseguiu guiar direito a bicicleta. Ninguém é perfeito.

Na Challenge, são três pilotos na luta. Sylvio Barros, o dono do Porsche com a homenagem ao Mach 5 do Speed Racer, lidera com 81 pontos. Atrás, Fernando Barci e Gui Affonso. Também terá quatro estreantes. Dois paulistas e dois cariocas.

Então, quem estiver pelo Rio de Janeiro, junta uma graninha e vai para a pista. E nada de mimimi.

A volta da serpente luminosa

Na biologia isso não existe. A não ser que tenham colocado neon em uma serpente no meio da selva, o que eu acho muito difícil. Mas o importante é que ela voltará. Não na floresta amazônica, mas no autódromo. As 12 Horas de Tarumã voltarão a ter a largada a meia-noite.

Isso mesmo, amiguinhos. Por mais que largar ao meio-dia e encerrar a meia-noite seja menos cansativo para todos os envolvidos – principalmente jornalistas, pilotos e equipes -, a experiência do ano passado foi um saco. Não tinha mais aquela apreensão de quantos vão concluir a prova, dos rastros de luz por, pelo menos, seis horas, em vez de quatro, etcetera e tal.

Lógico, sem contar o charme que tem nisso tudo. Lutar contra o sono ao som dos motores, sejam os V8, sejam os 1.6. O pessoal se enrolando com cobertor para escapar do frio. Os bêbados fazendo zerinho e jogando poeira no churrasco dos outros… Bem, essa última parte exclui.

Mas é isso. Até que enfim, a organização retomou a ideia inicial da prova e, neste ano, ela começa a meia noite. Merece aplauso.

O que Prost e Button têm em comum?

A diferença entre os dois? O francês era um gênio das pistas

A diferença entre os dois? O francês era um gênio das pistas

Comparações, normalmente, são injustas. É aquela coisa: a gente pega uma pessoa atual, vê semelhança com outra do passado, e pensa “ó, tá aí alguma coisa que os dois têm em comum”. São várias as comparações: Oasis eram os novos Beatles, Chris Brown o novo Michael Jackson, e os travestis do Rio de Janeiro as novas Ronaldinhas. Na Fórmula 1, essa comparação não poderia faltar, né?

Lógico que, sempre que tem essas comparações, vem uma galera com pedra na mão. Quando Rubens Barrichello disse, certa vez, que o arrojo do Lewis Hamilton parecia a época juvenil do Ayrton Senna, todo mundo foi para cima do eterno vice-campeão. Soltaram aqueles adjetivos nada legais como “invejoso”, “sempre perdedor” e aquelas frases de efeito como “Senna é incomparável”.

Como falar de Senna, no Brasil, é praticamente pedir para ser pregado na cruz, vou poupar minhas mãos e meus pés e falarei de um inglês e de um francês. Os habitantes destes dois países da Europa não se darão ao trabalho de traduzir o meu querido blog para me xingar nos comentários. Eu acho.

Enrolações à parte, faz um tempo que faço essa reflexão. Jenson Button é quase um Alain Prost. Não só por competir com um grande companheiro de equipe na McLaren – não preciso lembrar que o francês era coleguinha de Senna, né? -, mas pela forma como pensa na corrida.

Muitos dizem que faltava arrojo em Prost. O francês fazia aquilo que era necessário para ser campeão. Certa vez, o próprio Senna disse que, quando queria, o companheiro mclariano sentava o pé no carro e conquistava a pole position. Se era preciso chegar em segundo para conquistar o título, fazia isso. Encarnava o Jaiminho e evitava a fadiga de ultrapassar os demais. Um verdadeiro come-quieto.

E assim é, ao meu ver, Button. Tem saído lá atrás do grid nesta temporada, mas feito corridas memoráveis. Ultrapassa aqui e ali, a gente quase não vê, e quando chega no fim da corrida se pergunta “como é que ele veio parar aqui?”

Uma das poucas coisas que diferem estes dois europeus de gerações diferentes é o brilhantismo. Prost era um excepcional piloto. Button é um bom piloto. Nada mais que isso. Mas o mais cerebral de todo esse plantel de hoje. E faltam pessoas com cérebro nessa categoria.

O melhor da nova geração

'Se eu venço com um Minardi melhorado, imagina com um carro de verdade?' (VETTEL MIND, Sebastian. 2008)

'Se eu venço com um Minardi melhorado, imagina com um carro de verdade?' (VETTEL MIND, Sebastian. 2008)

Quando, há três anos, Sebastian Vettel conquistou a pole-position em Monza com um Toro Rosso, muita gente disse – incluindo eu – de que foi pura sorte. Afinal, o alemãozinho, então com 21 anos, só pegou o primeiro lugar porque a chuva caiu logo depois que ele e seu companheiro de equipe foram para a pista.

E a Toro Rosso era um Minardi, com algum investimento, mas um Minardi. Ou seja, um carro ruim, mas não tão ruim quanto Hispania e Virgin Marussia juntos.

O que se viu, naquele longíquo 14 de setembro, foi o domínio de alguém especial. Sem Kers, sem asa-móvel, só com um Minardi e pneus para chuva, o moleque dominou o Grande Prêmio. Como disse Flávio Gomes na época, um feito maior do que aquele famoso GP em que Ayrton Senna chegou em segundo (em Mônaco, em 1984, enquanto o Vettel pai nem imaginava em ter um Sebastianzinho).

Quase três anos depois, Vettel vence no palco de seu primeiro trunfo

Quase três anos depois, Vettel vence no palco de seu primeiro trunfo

Quatro anos de Fórmula 1, um oitavo lugar (2008), um vice-campeonato (2009), um título mundial (2010) e o virtual título desta temporada. Fora que já conquistou 25 poles-positions e 18 vitórias na carreira – sendo oito nesta temporada. Continuando assim – lembra-te, ele tem apenas 24 anos – passará Senna em vitórias e, bem possível, em poles.

Não sei se chegará às conquistas de Michael Schumacher, mas está para dominar o mundo tal qual o conterrâneo. E não adianta os patriotas e invejosos dizerem que os dois só conseguiram tanto porque têm carros bons. Ok, as máquinas são excepcionais, mas eles são pilotos fenomenais. Sabem como dominar a potência, dizimaram a concorrência e humilharam os companheiros de equipe.

Vettel corre sozinho porque dizimou a concorrência. Só perde quando algo em sua cabeça não vai bem. Da mesma forma que Schumacher entre os anos 2000 e 2005.

Contente-se com isso.

Um post resignado

Durante muito tempo o considerei um Dick Vigarista. Aquela coisa de gurizão, que acompanha a Fórmula 1 só por uma emissora e toma tudo o que ela conta como verdade. Ok, quando ele conquistou o campeonato da categoria pela primeira vez, em 1994, fez uma coisa não muito legal, como você pode ver no vídeo abaixo.

Ok, ok. A tentativa dele de conquistar o título em 1997 em Jerez de La Frontera também não foi uma coisa, sei lá, muito digna de um, então, bicampeão do mundo…

Mas marcas são coisas que ficarão para a vida toda e essa, deste alemão, dificilmente alguém vai tirar. Podem aumentar o número de provas, o número de pontos, mas duvido inteiramente que alguém conquistará 91 vitórias. Poles position tudo bem – Sebastian Vettel está praticamente fazendo isso com seus 24 anos de idade -, mas vitórias e títulos? Não, nem um pouco.

Enquanto a emissora oficial só destacou os 26 anos da segunda vitória do Ayrton Senna, a primeira em Spa-Fracorchamps, porque o Bruno sentou em uma Lotus que não é Lotus, eu e minha mente pensávamos que a melhor coisa a se discutir eram os 20 anos de categoria do Michael Schumacher.

Não. Não sou alemão, sou brasileiro. Sim, Senna-Tio foi um grande piloto, mas morreu com dez anos de categoria. Não, não sou um desses patriotas em que só o que é feito por brasileiros é bom e os outros só conquistam as coisas por serem “Dick Vigarista”.

Quero ver você conquistar 91 vitórias. Quero só ver...

Quero ver você conquistar 91 vitórias. Quero só ver...

Não é qualquer um que comemora seus 20 anos de estreia na considerada a categoria mais difícil e charmosa de monopostos em atividade. Não é qualquer um que conquista 91 vitórias, 68 poles positions e sete títulos mundiais. Não é qualquer um que bate todos os adversários desde o seu segundo ano de Fórmula 1 e entra em uma equipe desacreditada – a Ferrari, em 1995 – para torná-la, de novo, uma megapotência, tal qual os EUA na economia mundial.

Este é Schumacher e isto tem que ser respeitado. Nem tudo o que ele fez foi correto, é óbvio, mas nem tudo o que Nelson Piquet fez foi, nem tudo o que Alain Prost fez foi e, pasme!, nem tudo o que Ayrton Senna fez foi. Todo mundo tem um pouco de bandido nessa vida, não seria diferente com o alemão.

Portanto, aqui vai um post de um cara que, por quase 20 anos, xingou este alemão por uma paixão cega, mas que depois descobriu que os números, muitas vezes, falam por si. Só que ainda falta muito para Schumacher se igualar ao melhor de todos os tempos: Juan Manuel Fangio.

Por que é bom ver Bruno na F1 de novo?

Senna ouviu muito a música do Raul Seixas, 'Tente outra vez'

Senna ouviu muito a música do Raul Seixas, 'Tente outra vez'

1) Porque ele é um bom piloto, isso não se pode negar.

2) Porque, em uma equipe menos pior que a Hispania, ele pode mostrar um pouco mais a que veio.

3) Porque o Brasil, só com dois representantes na F1, é muito broxante. Ter mais um, mesmo que não ganhe nada, ajuda alguma coisa.

4) Porque ele é brasileiro e não desiste nunca.

Agora só faltam Lucas di Grassi e Cesar Ramos conseguirem dinheiro para irem à categoria top, mas tá difícil. Bem que o Eike Batista, que dizem que está bancando Bruno, poderia criar uma equipe e investir nessa nova safra.

Mas isso é sonhar demais.

Zanardi, o cara

As pernas são substituíveis. A bravura, não.

As pernas são substituíveis. A bravura, não.

Ainda lembro como se fosse hoje aquele 15 de setembro de 2001. E sinto uma leve ponta de remorso.

Assistia a ChampCar na casa dos meus pais, então com os meus 16 anos. Era um moleque, portanto.

A prova era em Lausitzring, na Alemanha. Estava um saco. Quase no fim da prova, falei para o meu pai “Bem que poderia dar uma batida”. Isso mesmo, eu torcia para uma batida. Os pilotos andavam um atrás do outro e a corrida carecia de uma emoção interessante.

Uma porradinha era uma coisa simples, que sempre acontecia nessas provas.

Mas dessa vez foi diferente. Alex Zanardi, o multicampeão da ChampCar que voltou à categoria depois de não ter dado a sorte na Fórmula 1 em 1999, perdeu o controle de seu carro Pioneer. Até aí todo bem, eu estava com um sorriso aberto, que em menos de cinco segundos virou desespero.

Alex Tagliani acertou em cheio a parte frontal do carro do italiano. Não sobrou nada daquela parte, literalmente.

Uma batida a 300 km/h, em uma pista oval, no bico do carro, não daria uma coisa muito bonita

Uma batida a 300 km/h, em uma pista oval, no bico do carro, não daria uma coisa muito bonita

Os socorristas chegaram logo. Em casa, um silêncio. No autódromo, também. No pit, a mulher do piloto estava desesperada. Não era para menos.

A televisão mostrava e, por mais que o narrador tentasse me acalmar, eu sabia o que estava vendo. Aquele líquido vermelho escorrendo do carro não era óleo do motor: era o sangue de Zanardi, que teve as pernas amputadas ali mesmo, ao vivo e a cores, em uma fração de segundos.

Cinco, dez, quinze minutos. Não lembro quanto tempo durou a cena. Zanardi entrou no helicóptero e eu desliguei a televisão. Fui para o quarto repensar naquele meu desejo de moleque. Eu havia estragado a vida de um homem. Era assim que eu me sentia.

Hoje, lógico, percebo que não foi nada disso. Esse tipo de coisa acontece nessas provas. Automobilismo é perigoso e todo mundo sabe disso, mas, porra, precisava ser o Alex Zanardi? Logo ele?

O italiano, pouco tempo depois, voltou a correr e dá uma lição de vida.

Zanardi, simplesmente, é o cara. E todos nós devíamos nos espelhar nele.

Não confio em motoristas com GPS

'Recalculando rota' é o que a mulher do GPS mais sabe falar

'Recalculando rota' é o que a mulher do GPS mais sabe falar

Todo mundo acha que é uma facilidade, mas eu vejo mais como um problema. O tal do Geographic Information System, abreviado para GPS, mais atrapalha do que ajuda. Por que? Ora, aqui vai uma pequena historinha.

Certa feita, fui na formatura da Gabriela*, em São Leopoldo. Aquela coisa de sempre: amiga e tal, e era importante participar de mais essa etapa da minha amiga. Lá, encontro meu amigo Gabriel*. Como eu não sabia como ir e ele falou que sim, sabia, decidi seguí-lo no meu carro.

Antes de irmos ao bar, Gabriel anota o endereço – éramos dois idiotas que esqueceram o convite no computador e não anotamos o endereço antes da cerimônia, logo, que amigos nós somos, né? – e diz “Deixa comigo. Eu tenho GPS”.

Papo aqui, refrizes acolá e quetais, vimos que já era hora de partir para a recepção. Chegaríamos uma hora antes da formanda, esperaríamos um pouco, aqueles negócios que, se um dia você não presenciou, um dia presenciará.

Eis que pegamos os carros e o Gabriel faz o sinal para eu seguí-lo. Saímos da Unisinos em direção à BR-116, rumo a área central de São Leopoldo – cerca de 10 minutos, no máximo, de onde estávamos.

Seguimos adiante e, uns dois quilômetros depois, dobramos à direita. Tem um posto de gasolina à nossa esquerda. Ele segue reto e dobra, novamente, à direita. Andamos em quadrado – porque em círculo é difícil, quando as ruas são divididas por quadras.

Penso. “Bem, acho que ele quer parar na casa de algum amigo para irmos juntos à recepção.” Depois de duas voltas completas na quadra, vamos um pouco mais reto, dobramos à esquerda, à direita, e começo a me desesperar. “Pronto, esse cara se perdeu.”

Pouco tempo depois ele liga o alerta do carro, paramos e ele me conta. “Ô meu, meu GPS está perdido. Ele diz para dobrar onde não dá, porque é um paredão.”

Xingo o Gabriel até não poder mais enquanto estamos dirigindo. Depois de uns 30 minutos, chegamos no local que deveríamos ter chegado em, no máximo – repito -, dez minutos.

Por sorte, a Gabriela é uma noiva e se atrasou para tirar a parafernália de formatura, se arrumar e essas coisas. Sentamos em uma mesa e começamos a conversar com um casal que conhecemos no dia, mas sabíamos que estuda na mesma universidade que nós.

Falo sobre o GPS e o neo-amigo desabafa. “Comigo também é a mesma coisa. Ele dizia para eu entrar onde tinha uma parede e, como eu ia reto, aquela vozinha chata dizia ‘Recalculando rótula’”.

Cacete. Algumas tecnologias mais atrapalham do que ajudam. É por isso que eu prefiro olhar o mapa antes de sair. Se bem que o Google Maps nem sempre é confiável…

Pesquisa
Facebook
Conteúdo produzido por

Apoio

Arquivos
February 2012
S M T W T F S
« Jan    
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
26272829