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40 anos de Tarumã – A minha primeira vez

O Autódromo Internacional de Tarumã completa, no dia 8 de novembro deste mês, 40 anos de vida. Atualmente, é um espaço para a prática de automobilismo que, a cada ano que passa, não consegue se renovar. Os motivos são os mais variados, mas, entre eles, está a falta de dinheiro para investir naquilo que é de mais importante em um complexo esportivo: a estrutura – que permanece praticamente a mesma desde a primeira vez que o visitei, em 1997.

Mas não é sobre isso que pretendo escrever aqui. A partir de hoje, até o dia 8 de novembro – mas não com uma periodicidade precisa -, escreverei alguns textos sobre esses 40 anos do autódromo. Não vivenciei muitos deles, mas com certeza, será muito bom relembrar – e poder fazer você também relembrar – dos pontos mais importantes dessa história cheia de emoções, tragédias, e, por que não, alegrias?

Não lembro ao certo quando foi a primeira vez. Ao contrário da música Nenhum de Nós, eu não lembro nem do dia, nem do mês, mas apenas do ano. Era 1997. Após me emocionar vendo diversas corridas da Fórmula 1 pela televisão – até então, a minha vida automobilística se restringia apenas a essa categoria top e a Fórmula Indy -, uma propaganda me chamou a atenção. O autódromo de Tarumã, que eu insistia de chamar de “Itarumã”, receberia uma das provas daquele ano da Stock Car.

Nunca tinha ouvido falar do certame, mas olhei para o meu pai e falei “quero ir”. Fanático que sou por esse esporte, tudo por culpa do meu avô, não arredei o pé e disse para o véio Ero onde ele poderia comprar os ingressos e quanto custavam.

Domingo pela manhã acordei eufórico. Finalmente eu iria para “Itarumã”. Entramos no Corsa, só ele e eu, e nos dirigimos da Zona Sul de Porto Alegre até a cidade de Viamão. Foram longos 30 minutos de viagem.

Chegamos ao Autódromo por volta das 10 horas. A categoria nacional de Corsas já estava realizando a sua primeira bateria. Como nem eu, nem meu pai, conhecíamos o autódromo, fomos para a famosa curva do Tala Larga. Muita, mas muita gente. Muita, mas muitas churrasqueiras. Muito, mas muito churrasco. Muita, mas muita fome.

Vimos o encerramento dos Corsas e, depois, a primeira bateria da Fórmula Chevrolet. Foi divertido, até, mas achamos muito sem sal aquela curva. Como todo gurizão, eu queria ver porradas. E porrada era o que menos tinha. Resolvemos dar uma volta pelo autódromo.

Caminhando por aí, chegamos próximo aos boxes. Só espaço para gente chique e jornalistas. Avistamos, um pouco ao nosso lado, umas escadas. Fomos até lá e subimos. Estávamos em cima de alguns boxes, no espaço reservado para os pobrezinhos, como meu pai e eu. Achei legal tudo e fiquei triste por saber que não poderia ficar ali próximo dos carros: não tínhamos a verba necessária para comprar as credenciais VIP.

Nos contentamos em ir até a reta principal. Como o carro estava no estacionamento, fomos a pé mesmo. Subimos o histórico barranco até as arquibancadas de concreto. O povo dê-lhe a mamar uma cachaça, e meu pai e eu só olhando para a pista.

Foi, então, que um ronco alto e ensurdecedor – ao menos para mim, na época – foi ouvido. Os gritos de “urrul” dos bebuns e dos aficionados. Eu estava deslumbrado. Começou o desfile de diversos carros Ômega da Stock Car, que em 1997 era monomarca, e as categorias, divididas em A e B, corriam ao mesmo tempo.

A largada foi dada, com Paulão Gomes e seu carro verde com patrocínio da Varga largou na Pole Position. O Ademir “Perna” Moreira, até hoje locutor das provas de Tarumã, estava lá, fazendo suas gracinhas. Poucas voltas depois, aquele carro verde para em nossa frente. Deu algum problema e o Paulão teve de abandonar. Ingo Hoffmann, com o seu Ômega branco, patrocinado pela Castrol, assumiu a liderança e venceu folgado.

Mas o ponto alto da tarde estava em um carro vermelho e branco, com patrocínio da Krill. O carro largou em último e era o mais lento da turma. A cada passagem dele, gritos de força para o carro, mas não deu muito certo. O coitado ficou em último.

Pausa. Acho que, nesse horário, fomos almoçar. Nem lembro o que comi, se foi um churrasquinho ou se foi um almoço, mesmo. Vimos as outras provas da Copa Corsa e da Fórmula Chevrolet. Mas minha atenção estava voltada para a segunda bateria da Stock Car.

A largada foi dada novamente. Galvão Bueno foi entrevistado pelo Perna, e em nenhum momento alguém gritou “Cala a Boca, Galvão”.

Ingo, o alemão, continuava comandando na frente. Paulão, que teve de largar em último por ter abandonado a primeira prova, começou a chegar. Em pouquíssimas voltas saiu de último para figurar entre os primeiros. Mais algumas voltas, já estava em segundo, dando um suor danado em Ingo Hoffmann.

A batalha foi dura. Algumas porradas, mas nada muito “oh”. Foi divertido, mas eu estava mais é olhando para a dupla Paulão-Ingo e incentivando o carrinho da Krill a se dar bem.

A vitória ficou, novamente, com Ingo, mas o piloto mais festejado foi o carinha da Krill. Chegou em último recebendo uma saraivada de palmas. O Paulão também foi aplaudido, ao som de “esse cara é bom”. Eu não sabia quem era, então não falei nada.

Depois disso, pegamos o carro e voltamos para a nossa casa na extrema Zona Sul de Porto Alegre. Meu pai estava cansado. Eu, com aquele sorriso de uma orelha a outra, como se tivesse perdido minha virgindade.

A família da Copa Fusca

O automobilismo regional, todos sabem, é repleto de histórias de amizade. Muitos pilotos conseguem separar a competitividade da ajuda quando necessária. Uma coisa é a disputa na pista, outra é a relação fora dela. Se nas categorias “top” dos regionais essas coisas não são muito comuns de se ver, nas demais a história é diferente.

O que fazer quando, no domingo, na hora de fazer a tomada de tempo, a caixa de câmbio estraga? Em muitas competições, o piloto vai no muro das lamentações, chora, chuta o carro, xinga a mãe de todo mundo e etcetera e tal. Mas, segundo o relato do Eduardo Tomedi – que estreou no dia 6 de junho na Copa Fusca, com o carro de número 55 – a história foi diferente.

“Conseguimos uma caixa emprestada”, disse Tomedi, que conta com o apoio do cantor Daniel Rizzi. “Quase todos os fusqueteiros ajudaram”, complementou. Isso tudo aconteceu após três dias de treinos em que, segundo o piloto, o Fusca vinha em um ritmo bom, fazendo voltas redondas e cada vez mais rápido.

A estreia, porém, não foi das melhores. Após entras na metade da primeira prova, deu duas voltas e a pinça do freio caiu. O piloto ficou parado no Laço. O piloto até alinhou para a segunda prova, mas desistiu de competir por mais problemas.

A lição que ficou? “Me diverti e aprendi pra caralh*”, finalizou.

Em busca de um sonho

Conheço essas duas pessoas há bastante tempo. O Eduardo Tomedi, virtualmente, desde a época de campeonatos virtuais de Grand Prix 2, isso lá pelos idos de 1997. Pessoalmente, nos conhecemos em 2000, em uma etapa da extinta Brascar, no autódromo de Tarumã. A outra grande pessoa – tanto em proporção quanto em amizade – conheço há, se não me engano, seis ou sete anos. É da época de início da Pick-Up Racing, hoje a tal da Copa Montana, que integra a Stock Car. Estou falando de Luiz Fernando Silva.

São duas ótimas pessoas, apaixonadas por automobilismo. Tomedi, o cara que quer ser piloto a todo custo. Fernando, por outro lado, sempre foi o amigo centrado: dá esporro, mas sempre ajuda quem precisa. Dá dicas aqui e ali e não mede esforços para atingir os seus objetivos. Um grande chefe de equipe, se formos analisar de uma forma bem profissional – como ele é.

O sonho de ambos, o de ser praticante deste esporte caro, mas bom pra caramba, acaba de ser concretizado. No início do ano, conceberam a equipe TSM Motorsports. Há pouco mais de dois ou três meses – a data me falha à memória – adquiriram um Fusca. A ideia era competir na Copa Fusca, que integra o Campeonato Gaúcho de Marcas e Pilotos.

Aos poucos, o sonho vai sendo realizado. O carro está nos últimos ajustes para a competição, e a verba para a primeira prova, no dia 13 de junho, já está garantida. A equipe fechou patrocínio com o cantor e compositor Daniel Rizzi, de Viamão.

A batalha é dura, mas a força de vontade é grande. Sucesso para esses dois. Não apenas por serem meus amigos, mas, sim, por terem garra e gana para participar de um esporte em que, normalmente, só os abonados são os felizardos.

Mais uma prova em São Paulo?

ribeirao-preto

A Stock Car acabou de fechar um acordo com a cidade de Ribeirão Preto, no interior paulista, para sediar a quinta prova da categoria. A corrida será realizada nas ruas da cidade e, conforme afirmou o Luciano Monteiro, o traçado mais parece um espermatozóide com antenas do que, realmente, um circuito de rua.

Nada contra circuitos de rua. Acho uma das melhores coisas que já inventaram no automobilismo. Mas São Paulo já sedia duas provas da categoria ao ano, ambas em Interlagos. Pra quê mais uma prova no Estado?

Rio de Janeiro tem um autódromo caindo aos pedaços, até onde se fala. Mutilado, usado como praça esportiva dos Jogos Olímpicos, essas coisas. Poderia, muito bem, ter uma prova de rua em solo carioca do que em São Paulo.

Algum vai dizer “Ah, mas o Rio Grande do Sul sedia duas provas”. Sim, sedia. E já acho muito. Santa Cruz do Sul é um autódromo, pelo menos até 2008 – faz muito tempo que não vou àquela cidade – inacabado, restando, apenas, o Velopark em condições de sediar uma prova nacional. Tarumã, por toda a tradição que tem, não rola mais. Os motivos todos já sabem e não cabe a mim ficar repetindo.

Mas, para tudo, tem uma explicação. A Stock Car utiliza, nesse ano, motor com etanol. Ribeirão Preto é fabricante de Etanol. A cidade quer realizar a prova – era uma das candidatas para a SP 300, da Indy – e blá, blá, blá. Que seja, então, uma boa prova. Só que, como diz o Flávio Gomes, vejam se a cidade não tem nenhuma outra necessidade antes de gastar recursos públicos – se é que vai gastá-los…

Ah, na foto, de Carlos Natal, está a Família Gomes, representante de Ribeirão Preto na categoria.

Cinquenta oficiais treinados…

A Federação Gaúcha de Automobilismo (FGA) classificou como “sucesso total” o seminário de treinamento de comissários e diretores de prova da entidade. Cerca de 50 pessoas participaram do evento, realizado no sábado passado no Velopark, em Nova Santa Rita. De acordo com a FGA, a última vez que algo assim ocorreu foi há mais de 20 anos.

Para a entidade, essa iniciativa é uma maneira de qualificar as pessoas atuantes no automobilismo gaúcho. Durante o seminário, foram abordadas as funções de Comissário Desportivo e de Diretor de Prova – atribuições e procedimentos em diversos casos que podem ocorrer em uma competição.