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O que fazer nessas férias?
Eu sou realmente estranho. Passo o ano inteiro aparecendo de maneira esporádica e, nas férias, dou o ar da graça. Que belezinha, né?
Mas o post de hoje é interessante. Afinal, nesses tempos de vacas magras de competições, nós devemos nos manter próximos daquilo que amamos. E o automobilismo é assim.
A minha dica para fazer nessas férias é uma boa leitura – pode ser em casa depois do trabalho; ou na praia, caso chova. Aqui em Lajeado eu trouxe uma parte do meu acervo de livros sobre automobilismo. Outros tantos ficaram em Porto Alegre, mas devo trazer assim que a preguiça deixar o meu corpo.
Para começar, falarei de trás para frente.
Neste momento, estou lendo “O caminho da vitória”, do Hélio Castroneves. Mesmo sendo um livro autobiográfico, o piloto brasileiro narra de uma maneira interessante a carreira dele – das dificuldades iniciais, aos momentos de glória, até o momento em que é suspeito por burlar o fisco americano. E a construção disso tudo é maravilhosa.
Começa igual a este post: de trás para frente. Ele, pole-position, nas 500 Milhas de Indianápolis de 2010. O público o ovacionando quando é nomeado pelo locutor oficial. Até chegar a desgraça toda.
Vale a pena dar uma conferida. E é baratinho.
Feliz dia das Crianças
Quando eu tinha lá meus anos com menos de dois dígitos, comecei a jogar Enduro no Atari. Foi ali que minha paixão por automobilismo cresceu mais e mais. Com os anos, passei para o Master System, Super Nintendo, até conseguir comprar, com minhas economias, um PlayStation. Em todos os consoles, eu tinha, pelo menos, um joguinho de corrida para imaginar que era um piloto.
E, não faz nem meia-hora, começou em Porto Alegre o Video Game Live. Um show de uma orquestra e uma banda, que só toca músicas-tema de joguinhos clássicos. Você pode conhecer um pouco mais sobre o Video Game Live aqui.
Portanto, para não deixar essa data em branco, uma pequena amostra de que os joguinhos marcaram a vida de muita gente.
Mas…
Não poderia deixar de publicar, aqui, a melhor abertura de jogos que já vi. Dá vontade de baixar um emulador e voltar a jogar Gran Turismo 1!
O (mal) aproveitamento dos pilotos no marketing
Sejamos sinceros: americanos sabem fazer dinheiro. É incrível como aqueles caras lá da América do Norte conseguem explorar cada coisinha para vender seus produtos. Os marqueteiros chamam atores, cantores e, também, esportistas – sem distinção de esportes.
Enquanto aqui temos Neymares, Pelés e Kakás fazendo propaganda dos mais variados tipos, lá na terra do capitalismo Danika Patrick, Will Power e Dario Franchitti são os bola da vez. Não sei dizer quantas vezes na programação televisiva as propagandas com eles aparecem, mas, durante as corridas, é quase que maciça.
Os americanos são bons no que fazem e, aqui no Brasil, deveria fazer o mesmo. Até porque fica aquela pergunta: quantos aqui, que não curtem automobilismo, sabem que a Ipiranga patrocina a Bia Figueiredo na Fórmula Indy? Uma guria competente, que a cada prova mostra a que veio e que, se um dia for substituta da Danika Patrick na Andretti, fará muito mais do que aquela modelete invocada.
Falta um pouco mais de criatividade para os marqueteiros explorar os pilotos para vender seus produtos. Garanto que seria mais vantajoso colocar a Bia e o Thiago Camilo, ambos patrocinados pela Ipiranga na Indy e na Stock Car, respectivamente, do que qualquer coisa engraçadinha.
Enfim, ficou a dica. Se a Ipiranga fizer isso, cobrarei royalties.
Xô, aposentadoria
A preparação
Entra no vestiário. Pega o macacão surrado, desgastado. Olha para aquele estado, dá uma risadinha irônica. Abre o armário, coloca lá os seus pertences, e logo está com as vestimentas para a corrida que o tirará da aposentadoria forçada de quatro anos.
Abandonou os campeonatos amadores de kart por falta de dinheiro. Quando surgiu a oportunidade de competir novamente, gastando pouco, com uma grande premiação, não teve como pensar duas vezes: pagou com o pouco que tinha a inscrição – barata, é verdade – mas não conseguiu investir em treinamentos. Ou eram os treinos, ou era pagar uma das contas. Decidiu pagar as contas.
Ouve seu nome ser chamado pelo alto-falante. Desloca-se até o parque fechado e se pesa. “Nossa, o negócio é profissional.” Quando é autorizado a entrar no pitlane, senta naquele kart que foi reservado à ele.
Pisa no acelerador e no freio. Vê que está muito próximo do volante e desconfortável. Ajusta a posição do banco, um tanto desconfortável para quem estava há exatos quatro anos parado. Tira do bolso a balaclava alugada e a coloca em sua cabeça.
O capacete vermelho é colocado. A viseira um tanto embaçada, “Mas não dá nada, porque o que quero é me divertir.” Enfia suas mãos nas finas luvas de borracha. Oito pilotos à sua frente. Este é o grid de largada, organizado de acordo com as inscrições do campeonato.
Tum… Tum… Tum…
Sente seu coração palpitar, de leve.
Os mecânicos ligam os motores dos concorrentes, um a um.
TumTum… TumTum… TumTum…
O seu motor é acionado.
TumTUmTum… TumTumTum… TumTUmTum…
Acelera e desacelera. Acelera e desacelera.
Fica ofegante. Coloca as mãos no volante e espera o diretor de prova liberar a ida à pista. Trinta segundos depois, todos vão para o traçado, largar em menos de um minuto.
A primeira corrida
A largada é em fila indiana, por questões de segurança. Quando a bandeira verde e amarela é agitada, salta de nono para sexto. O coração aumenta o palpitar conforme as posições que conquista. Escapa do choque contra um concorrente que rodou em sua frente. Quinto. Esta é sua colocação.
Primeira curva e tenta angariar mais posições, mas a tentativa é frustrada. “É um bom começo”, pensa, mas logo vê tudo ir por água abaixo. Com a pista úmida, perde-se no traçado e cai para as últimas colocações. Tenta manter a concentração, mas uma nova rodada tira todas as suas chances.
“Bem, vamos nos divertir, então.” E parte para as treze voltas que precisa completar.
Entre freadas bruscas e rodadas, termina a primeira prova em 11º, a uma volta de desvantagem.
“Ah, pelo menos foi divertido”, contou aos concorrentes.
A inconsequência de quem quer se divertir
A dor de cabeça aumenta. O gosto ruim na boca, provavelmente devido à gripe que tenta atrapalhá-lo, começam a angustiar. Vê um concorrente vomitar e ele alega estar nervoso demais. “Tem gente pior que eu… acho.”
Senta-se no kart. O grid é invertido: agora larga na sétima posição. O Tumtum do coração permanece o mesmo, mas a dor de cabeça começa a latejar. “Foda-se, eu vou é correr.”
Tentou se inspirar em pilotos profissionais, que cansaram de competir gripados e fizeram boas corridas. Alinhou atrás de seus concorrentes. Larga bem e coloca pro fora na primeira curva. “Algo me diz que me ralei”. É um profeta.
Caiu da sétima para a última colocação em dois toques. Mesmo que acelerasse, seus adversários se distanciavam demais. Acabou a tranquilidade e, três voltas depois, um erro de cálculo na hora da frenagem o transforma em um piloto da Rally: perde o controle do carro e sai rodando para o barro.
A cabeça lateja com mais intensidade. Desiste da corrida, mas não sai de seu kart. Tenta se manter na pista, mas a tontura o impede. Dez minutos nessa luta de manter a concentração e não ter um acidente mais forte. É ultrapassado por todo mundo novamente, mas o que ele quer é que essa corrida acabe.
Fim de prova. Ainda angaria uma posição. Termina em 15º dos 16 participantes. “Nada mal”.
O fim
Tenta se manter em pé na volta para o vestiário. Se veste rápido, devolve as vestimentas alugada, e entra no carro, em direção à sua casa. Sabe que nada é perfeito. Por mais que, há quatro anos, fosse competitivo, sabia que não conseguiria mais do que conquistou neste sábado.
Se nem Michael Schumacher, ao voltar para a Fórmula 1, foi o mesmo, porque ele seria? Mas sabe que a vontade de competir neste esporte caro e para poucas pessoas continua. Quem sabe, num futuro próximo, consegue algo melhor do que uma diversão?
Desistiu de competir no domingo. Arriscou demais em uma prova perdida, e considerou melhor prvenir do que remediar. Afinal, não vive de automobilismo e precisa voltar ao seu trabalho.
Mas agora é retornar à realidade. Com aquele sorriso no rosto de ter feito algo que gosta mais do que qualquer outra coisa. Uma sensação de dever cumprido.
Nota do Editor: Texto feito sobre a participação do blogueiro na Seletiva Velopark, organizado pela AmilKartShow nos dias 25 e 26 de junho.
Carros antigos são melhores
O que eu vou dizer aqui não é novidade nenhuma: os carros antigos são infinitamente melhores que os carros “modernos”. Eles podem beber mais, podem ter as manutenções caras, as peças podem ser difíceis de achar, mas são diferentes um dos outros e têm motores ensurdecedores.
Vamos começar pelo começo: os desenhos. Cada montadora se preocupava em oferecer ao cliente o que os outros não tinham, e nada melhor do que chamar atenção pelo design. Um Simca era muito diferente de um Dodge, assim como um Impala era diferente de um Maverick.
Um tinha um desenho mais robusto, outro mais agressivo e por aí vai. A barulheira dos motores era um show a parte. Como uma show de rock, faz todo mundo enlouquecer quando ouve um – seja de paixão, seja de desgosto.
Mas hoje não. Hoje é tudo igual. Parecem os discursos dos pilotos da Fórmula 1: pasteurizados demais e comuns. É só ver como são os modelos de cada “catiguria”.
Os hatch são iguais entre eles. O mesmo para os carros de rico, que são aquelas naves japonesas – que não tem como diferenciar um do outro. E os motores não falam. Você pisa e ele parece que não está a fim de te emitir nota nenhuma. É um roadie de uma banda de rock.
Está na hora das montadoras lançarem umas releituras de carros antigos, mas com estilo dos carros antigos. Falta algo decente nas ruas.
Start Your Engines
Ah, novidades sempre são boas, né?
Como aqui em Lajeado sofremos com a falta de uma internet banda larga rápida – logo, logo resolveremos isso – aqui vem o antes tarde do que nunca: o Start Your Engines. Um videocast que veio para dar a nossa opinião – na verdade, do editor desse blog – sobre o que ele acha que sabe sobre automobilismo.
Dá uma conferida aí.
Dicas, críticas e sugestões são sempre bem vindas.
O que você (não) deve fazer para ser um piloto
Enquanto nós fazemos o levantamento sobre quanto custa ser um piloto, qual categoria você deve começar a competir e essas coisas de utilidade pública automobilística, nós vamos fazer outro tipo de serviço. Como nem todos os apaixonados por este esporte fascinante dispõem do mínimo de dinheiro necessário para fazer uma corridinha mixuruca, aqui está uma lista do que os desprovidos de uma boa situação financeira NÃO devem fazer para arranjar fundos e, assim, investir na sua promissora carreira.
Lavar dinheiro
Coisa muito comum hoje em dia, com traficantes tendo mansões apenas com o dinheiro do tráfico, a lavagem de dinheiro não é muito promissora. A Receita Federal está aí, batendo à porta de todo mundo, e tem uma galera que está vendo o sol nascer quadrado por causa dessas falcatruas. Portanto, descarta essa ideia logo, logo.
Assaltar um banco
Se lavar dinheiro já é complicado, imagina assaltar um banco? Tem que conhecer muito o lugar e essas coisinhas que tiram a paciência. É melhor gastar os neurônios fazendo um bom acerto de carro para vencer nos simuladores do que ficar nessa aí. Nem toda a capa de jornal vale a pena. Ainda mais quando é de página policial.
Vender drogas
Você já deve ter notado que as forças estadual do Rio de Janeiro e as federais estão trabalhando arduamente para acabar com o comércio de drogas naquele Estado, não? Então, não pense em fazer nada do tipo. Além de ser ilegal e perigoso, você estará acabando com a vida alheia. E isso não se faz.
Fazer programa
Ah, a vida fácil. Quando todo mundo fala que está mal de grana e quer ganhar dinheiro com aquilo que vem de forma menos trabalhosa – afinal, ganhar dinheiro com o prazer deve ser bom -, logo pensa em fazer programa. Nós não recomendamos. Além de poder ter sérios problemas futuros – e não apenas a tendinite -, não deve ser legal ser reconhecido por algum piloto ou até mesmo fã no autódromo e ele apontar para você dizendo “Está vendo aquele ali? Pois é, investe no automobilismo fazendo programa”. É uma fama que nem todos gostariam de ter.
Fazer um site/blog sobre automobilismo
Aí está a coisa mais estúpida a se fazer. Montar um site ou um blog sobre o automobilismo, achando, assim, todos vão lhe reconhecer, dar o devido valor, e baratear – ou até mesmo patrocinar assim, do nada – a sua vida nos autódromos. Não se engane. Blog, assim como fazer programa, é prazeiroso, mas os rendimentos não são a curto prazo. Então, desencane.
Como vocês viram, o crime e a vida fácil não compensam. E aí, você tem mais alguma dica do que NÃO se deve fazer para ser um piloto?
Nota do Editor: Esse texto é uma brincadeira. Não leve a sério.






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