Arquivos de February, 2012
Sou fã de Rubens Barrichello
Não sou como muitos aficionados por automobilismo, que se consideram fanáticos pelo Ayrton Senna. Reconheço a história e o legado deixado pelo tricampeão mundial de Fórmula 1, mas não posso me considerar fã de uma pessoa que eu nem acompanhei a carreira. É isso mesmo, não acompanhei a carreira do Senna, mesmo sendo um apaixonado por automobilismo como sou.
Digo isso de boca cheia porque o brasileiro morreu quando eu tinha dez anos. Estava em um acampamento e, com dez anos, tava recém aprendendo o que era viver – ao contrário de muito moleque que, com dez anos, já é praticamente pai. E também porque muitos desses fãs de Senna nunca viram o cara correr. Se baseiam apenas no que dizem os jornais, revistas e documentários. Nasceram no ano ou anos depois da morte do mito esportivo.
Nada contra, apenas tento ser racional. A minha racionalidade diz que não tenho como ser fã de alguém que não acompanhei a carreira.
Agora, acompanhei praticamente toda a carreira do Rubens Barrichello na Fórmula 1. A partir da morte do Senna, caí na onda global e assumi que o outro brasileiro era o nosso novo campeão mundial da categoria. Eu e ele caímos – e alguns milhões de pessoas.
Vi praticamente todas as corridas entre 1995 e 2009. Acordava cedo para ver o quão longe esse carinha conseguia ir. Muitas vezes me decepcionei, mas quem diz que nossos ídolos não cometem falhas? A maior falha dele foi assumir algo que não tinha capacidade. Mas não me deixei vencer por isso.
Me emocionei diversas vezes com esse “brasileirinho contra esse mundão todo”, mesmo não acreditando que o mundo era contra ele – mas sim ele mesmo era o próprio inimigo. Como quando ele conquistou a segunda posição em 1998, quando deveria ser o vencedor no lugar do companheiro de equipe, Johnny Herbert.
Quando o cara foi para a Ferrari, achei que agora ia. Não foi. Mas fez coisas espetaculares. Quem aqui vai negar que a primeira vitória dele, na Alemanha, não foi emocionante? Podem dizer o que quiserem como “Ah, mas o Schumacher saiu da pista…” E daí? Por acaso, todas as vitórias do Ayrton Senna ocorreram só por méritos dele? Nenhum piloto que estava à sua frente saiu da pista por alguma besteira?
Chorei com aquela vitória. Com aquela audácia de sair na 18ª posição e ultrapassar meio mundo. De liderar diversas voltas com a pista meio molhada e meio seca. Uma das maiores vitórias da categoria, que poucas pessoas reconhecem só porque o Barrichello fala demais.
Ou vai dizer que você também não ficou irritado quando, em 2001, ele cedeu a vitória para Schumacher na última curva? Com aquele “hoje não!” do Cléber Machado se transformando em “Hoje sim”, em tom melancólico? Não vaiou o alemão – e a tiracolo o brasileiro – por ter nos tornado um idiota no meio de milhões de espectadores?
Repito. Quem disse que nossos ídolos não fazem besteira?
Sim, me decepcionei diversas vezes com este carinha, mas e daí? Em 2009 ele retomou tudo. Conseguiu, com a Brawn, conquistar algumas vitórias. E olha que era um cara dado como aposentado. Não rolou. Calou a boca de muita gente, mas mesmo assim, essa galerinha aproveitou qualquer falha para dizer “eu falei que esse cara era um bosta.”
É! Um bosta que durou 19 anos na categoria máxima do automobilismo. Um bosta que derrotou o melhor de todos os tempos – no quesito números – algumas vezes. Um bosta que até hoje é respeitado pelos aficionados por esporte do mundo todo, menos aqui no Brasil, em que só prestam aqueles que são vencedores.
Agora esse cara tem tudo para dar certo. Está quase confirmado na Fórmula Indy neste ano. Todos se surpreenderam com as voltas que deu em Sebring e, neste fim de semana, tem algumas voltinhas para dar na KV Racing – equipe do amigo-irmão Tony Kanaan.
Tem como não ser fã desse cara? A mim, não.
Como nossos pais
A maioria mal sabe escrever direito. Ainda estão na idade de ver desenhos animados, acordar cedo para ir no colégio e brincar nos pátios das creches. Precisam de ajuda para se vestir, escolher as roupas, quiçá tomar banho. Mas, em alguns finais de semana, atuam como se fossem gente grande.
Invocam a Elis Regina involuntariamente – já que nem conhecem a filha desta cantora, imagina a própria – e seguem “como nossos pais”. Sim, porque alguém teve que incentivá-los e a paixão, normalmente, é seguida pela carreira do pai.
São os pequenos pilotos. No Campeonato Centro-Serra de Veloterra, disputado em Roca Sales no último domingo, foram cinco participantes: três nas motinhos de 55cc, que não têm nem marcha; e dois na 65cc, estas já com marcha. A timidez quase os impede de conversarem, mas quando conversam, não saem mais do que três palavras. Grande parte das frases são constituídas de “é bom” e “porque e legal”.
Os pais ajudam com a vestimenta. Coloca caneleira, protetor de peito, macacão, joelheira. Os pequenos parecem superastros do supercross. Só falta aparecer um dos patrocinadores oferecendo comida e água. Na verdade, quem faz isso são os paitrocinadores.
Nada os impede de se divertirem. Mas a diversão não faz parte do vocabulário. Atuam como gente grande no circuito. Aceleram, ultrapassam, e sabem o momento de dosar o equipamento. Afinal, outras etapas vêm por aí e quanto menos tiver que gastar na revisão, melhor.
Automobilismo gaúcho começa em março
É como dizem: o ano começa depois do carnaval. O mesmo pode se dizer nos campeonatos gaúchos. Li no Copa Fusca e compartilho com vocês.
No dia 11 de março, o Velopark abre as porteiras para testes coletivos. Serão três categorias: Marcas & Pilotos, Copa Fusca e Fórmula 1.6. A pista será aberta as 9h e o fechamento só às 17h. Então, é uma oportunidade de conhecer quem são os pilotos e tirar boas fotos (como é o meu caso). Tudo isso em Nova Santa Rita.
Fica o convite.
(Fotos: Divulgação/catadas da Internet)
Ready? Set… Go!
Sol escaldante. Refrigerante bem gelado. Cachorro-quente no lugar do almoço. Cheiro de combustível, barulho de motor e barro… muito barro.
Assim foi o meu domingo e posso dizer com toda a sinceridade: senti falta disso.
Há pelo menos três anos estou fora da completamente fora das coberturas das competições. Ano passado até tentei, mas não consegui ir além de uma etapa do Campeonato Gaúcho de Marcas e Pilotos e da Copa Fusca, em Guaporé. Depois foi foco no emprego, e deixei o esporte motor de lado.
Mas, pelo menos, hoje mudou. Senti o meu coração pulsar ao ouvir o ronco esganiçado das motocicletas. Passear por aquele campo no Distrito Industrial de Roca Sales foi maravilhoso. Pisar no barro, arranhar as pernas ao buscar um ângulo diferente para as fotos…
Campeonato Serrano de Veloterra. Uma novidade para mim. Nunca tinha estado em uma competição como esta. Para mim, moto e barro só existe em Motocross. Hoje me informaram outras categorias: veloterra é velocidade na terra, sem saltos; motocross é para alguns saltos na pista; supercross é quando cerca de 80% do circuito é construído para saltos.
Voltei para os ensinamentos jornalísticos, mas desta vez em uma disciplina específica. Magnífico, eletrizante, emocionante.
Isso. Emocionante. Porque não tem como não se sensibilizar com crianças entre 6 e 10 anos pilotando pequenas coisinhas de duas rodas de 55 cilindradas e 65 cilindradas. Ou ver aqueles marmanjos caindo tombos e se irritando pela frustração.
Sem palavras para descrever tudo o que senti hoje. Agora é me organizar para fazer mais e mais. Voltar para este mundo que me introduziu ao jornalismo. Evoluir sempre, mas sem esquecer aquilo que o motivou. E eu, infelizmente, esqueci por um pequeno período.
E como dizem naqueles videogames: Go! Go! Go!
A diferença entre a Truck e a Stock Car
O anúncio de que Adalberto Jardim terá apoio da Volkswagen nesta temporada da Fórmula Truck devia acender o alerta da Stock Car. As duas são consideradas as principais categorias do automobilismo, mas só a dos caminhões tem apoio de montadoras. Mas apoio mesmo, de desenvolvimento do veículo, com peças, combustíveis e até pneus, que podem chegar ao público-alvo rapidinho.
O mesmo não ocorre com a Stock Car. Muita gente pode falar “Ah, mas a Vicar tem o Brasileiro de Marcas”. E daí? Por que a necessidade de se criar uma nova categoria de carros de turismo, que tem o mesmo conceito da “categoria mãe”, só para ter “apoio” de montadoras, que ficam só na carenagem? O resto é igual a Stock Car: motor, suspensão, freios, tudo igual para “equilibrar”.
Se é para equilibrar, que se pegue a proposta da GT Brasil (continua com esse nome?): os carros continuam originais, mas há uma equipe que testa até não poder mais, a fim de equilibrar os carros de categorias iguais. Uma maneira de tornar a competição atrativa e original.
Não dá para entender o que se passa na cabeça de alguns promotores. Parabéns à Neusa Félix Batista, que mantém a essência criada pelo marido, Aurélio Batista Félix (in memorian). É por isso que a categoria de caminhões cresce firme e forte. Ok, não só por isso, mas é um dos fatores.
Serviço
Prepara-te. A abertura da temporada da Fórmula Truck é no Velopark, no dia 4 de março. Vai lá e se diverte.
Apelação em cima do Bruno

Bruno Senna não tem culpa de nada. Talvez, só de manter este sobrenome em vez do Lalli, e o capacete no mesmo desenho do tio.
Bruno Senna estreia, pela terceira vez, na Fórmula 1. Pelo menos é o que transparecem as matérias veiculadas sobre a carreira do moleque, sobrinho do eterno queridinho da categoria no Brasil, Ayrton. Sem nenhuma manifestação pessoal contra os dois – até porque não tenho nada contra -, este texto tenta explicar essa enjoativa tentativa de sempre relacionar o sobrinho ao tio, e como isso pode ser um tiro no pé.
Tudo começou em 2010, quando o moleque assinou com a Hispania. Em uma tentativa desesperada de levantar a audiência, visto que nem Felipe Massa, com um Ferrari, e o Rubens Barrichello, ainda na Brawn, conseguiram algo importante na temporada anterior.

Bruno Senna não tem culpa de nada. Talvez, só de manter este sobrenome em vez do Lalli, e o capacete no mesmo desenho do tio.
Passou na cabeça de algum editor de que Bruno assinando com a Hispania remontaria a trajetória vitoriosa do Ayrton. Tudo porque o tricampeão também começou em uma equipe pequena, a Toleman em 1984. Mas como muito bem disse Ivan Capelli certa feita, a comparação é esdrúxula. Segundo a pesquisa de Capelli, a Tolemann conquistou o título de melhor chassi da temporada, enquanto que a Hispania não fez nenhum teste e, como todos sabemos, era pior que uma carroça.

A segunda estreia de Bruno: Lotus, em 2011. Comparação com a época em que o tio competia na equipe, entre 1985 e 1986
Sem conseguir resultados expressivos – e nem tinha como, óbvio – não conseguiu lugar em 2011. Assinou como terceiro-piloto da Lotus. E mais ideias “brilhantes” na cabeça de algum editor: “Foi na Lotus que o Ayrton ganhou a primeira corrida, está aí!”. Parecia uma festa toda vez que algum piloto da Lotus fosse mal no ano passado. Uma contagem regressiva para que todos vissem o Bruno em ação em uma Lotus, ainda mais preta.
Dito e feito. Nick Heidfeld foi demitido. Bruno assumiu o lugar. Matérias e mais matérias fazendo a ligação de Ayrton com a Lotus e agora tentavam remontar tudo isso com o Bruno. Foram seis etapas. Nada de muito relevante o guri conseguiu e, pum, mais um chute na bunda. A segunda “estreia” do Bruno foi ruim.
Até que veio a batalha final. Eike Batista juntou a grana e conseguiu encaixar o moleque na Williams. O que fizeram de novo? Associaram essa ida do guri com a ida de Ayrton à equipe britânica. Mais uma “estreia de verdade” foi feita, já que é uma temporada completa, em uma equipe não tão ruim. Descartaram a Hispania por ser uma carroça e a Lotus por terem sido poucas corridas.
Daqui a pouco vou começar a pensar que os marqueteiros da transmissora oficial estão conversando com a McLaren. Vai que Bruno assine com a outra equipe inglesa? Alguém vai lembrar que foi nela que Ayrton sagrou-se tricampeão e, finalmente, vão conseguir a “estreia de um campeão” na Fórmula 1.
É cada babaquice que aparece…
Bora para praia? Pro Rally das Praias?

Público vai poder ouvir Ivete Sangalo e cantar "levantou poeira" entre Cidreira, Tramandaí e Osório (foto: Marcelo Matusiak)
É molecada. O automobilismo gaúcho realmente começou, e muito antes do carnaval. Neste fim de semana, mais precisamente no dia 11, conhecido como este sábado, será realizada a edição 2012 do Rallye das Praias. A prova marca a abertura do campeonato gaúcho de regularidade 4×2.
A novidade para este ano é a possibilidade de carros com tração nas quatro rodas participarem. Mas, porém, contudo, entretanto, todavia (by Judão) é tudo uma festa e não rolará ponto para o gaúcho da modalidade.
A largada da primeira bateria está prevista para as 13h30min, no posto Km1 da Estrada do mar. Serão 175 quilômetros de percurso – destes, 25 são de deslocamento. O percurso passa por Cidreira, Tramandaí e Osório.
O restaurante Bali Hari é um dos parceiros do evento e organiza um jantar para premiar os vencedores. Tudo isso na avenida Beira-Mar, em Atlântida. A prova é promovida pelo Clube Porto Alegre de Rally e conta com a supervisão da Federação Gaúcha de Automobilismo.
Barrichello na Indy: eu apoio
A confirmação do indiano Narain Karthkeyan na HRT, hoje, acabou com as remotas possibilidades de Rubens Barrichello permanecer na Fórmula 1. Duvido, aliás, que ele aceitaria competir numa equipe péssima, que não consegue desenvolver o carro, só para continuar naquela que é considerada uma categoria top. Nenhum amor vale isso.
Por isso, o brasileiro aceitou o convite do amigo-irmão Tony Kanaan de testar, por um diazinho só, o chassi Dallara da Fórmula Indy. Se a primeira impressão é a que fica, Barrichello curtiu. Ficou por mais dois dias no carrinho da liga americana-que-quer-desbravar o mundo.
Mas, pelo que se viu, não foi apenas admiração. Barrichello foi lá para mostrar a todos – principalmente aos críticos brasileiros – que é bom no que faz. Impressionou toda a cúpula: desde a KV Racing, até adversários e equipe técnica da Chevrolet. Afinal, não é todo mundo que, brincando, em três dias, lidera os treinos em uma pista que no máximo conhecia de correr no rFactor.
Por isso eu vos declaro: apoio a ida de Barrichello na Indy. Pode ser “a segunda divisão” do automobilismo mundial, podem dizer o que quiserem, mas é o melhor para ele. Melhor até que correr na LeMans Series e muito melhor que a Stock Car Brasil.
Alguns dos motivos para que ele vá para a F1:
Tony Kanaan
Barrichello e Kanaan são amigos de longa data. Desenvolvem um trabalho social com o Instituto Barrichello Kanaan. Dividem kart e a KV é a equipe do brasileiro. Se é para competir em algo novo, que seja com alguém que possa ensinar e dar uns tapas para dizer que está errado.
Mudança de ares
Na boa: ficar 19 anos em um lugar é como praticamente viver a vida toda nele. Mudança de ares são necessárias. Fazem a gente refletir e buscar novos horizontes. Descobrir novas coisas, mesmo aos 41 anos. E era isso que Barrichello precisava. De um recomeço para aquilo que ele mais gosta: o automobilismo.
Diversão
É notório que Barrichello se diverte enquanto pilota. O ambiente da Indy é profissional, mas muito mais leve. O contato com os fãs é mais fácil e, mesmo com toda aquela parafernalha exigida pelos patrocinadores, consegue ter um clima de amizade. Não tem aquela coisa de “sou foda”, como na F1, em que o máximo que um fã consegue chegar dos pilotos e das equipes é pagando muito – e olhe lá.
Calar a boca dos outros
Não posso garantir que Barrichello será campeão da Indy, mas acredito que conseguirá. Quando, é impossível precisar. Mas vai ser bom para mostrar àqueles que o criticam, duvidam da competência do brasileiro como piloto, que estavam errados. E a Indy é o melhor lugar para isso.
O crescimento do automobilismo gaúcho
Quem negar isso, tem de apanhar de relho enquanto está ajoelhado no milho. O automobilismo gaúcho está em ascenção. É um crescimento notório que só algumas informações mais precisas podem confirmar isso. E essa frase anterior ficou totalmente descabida, mas e daí? Vai encarar?
Vamos para o que importa: os dados. A primeira comprovação é o grid da Copa Fusca. Se antes era comum vermos as baratinhas mofarem em alguma garagem por aí, hoje as equipes buscam alguns exemplares para preparar para competição. O grid para esta temporada está cheio e, pelo visto, ano que vem teremos alguns anúncios nos classificados regionais como “Compro Fusca”.
A segunda leva é a melhora tecnológica da Fórmula 1.6. A principal mudança é na adoção da injeção eletrônica Pro Tune. Desenvolvida pela empresa gaúcha Dacar Motorsport, os carros terão Dash Displays com touch screen, GPS e programa para a análise de dados. O que isso acarreta? No desenvolvimento dos carros, cáspita.
Os pneus também mudaram. Não são mais os Pirelli. Saem os italianos e entram os argentinos da NA Carrera. Faz parte o plano de desenvolvimento do Johnny Bonilla, um dos donos do Velopark. Uma das exigências para a substituição é a duração: os compostos borrachônicos precisam durar duas etapas.
As novidades dos fórmulas estreiam no dia 25 de março, no Velopark, em conjunto com a Copa Fusca, Marcas & Pilotos e Veloce Cup.
E aí? Vai duvidar ainda?






















