Motivos para Porto Alegre não ter a Indy
Antes que desçam o cacete: sou favorável que a Fórmula Indy venha ao Rio Grande do Sul. A categoria cresce a cada ano, atrai mais público e, em breve, estará no encalço da Fórmula 1. É uma categoria extremamente barata para quem quiser assistir – o ingresso mais barato custa 25% do que a organização do Grande Prêmio da categoria top cobra dos fãs do automobilismo.
Mas o problema aqui é outro. Hoje, na Univates, na cidade de Lajeado – a 120 quilômetros de Porto Alegre -, o secretário estadual do Esporte e Lazer, Kalil Sehbe, falou das conquistas do governador Tarso Genro. Ele destacou a prova da Fórmula Indy, em setembro de 2012, nas ruas da capital gaúcha. Ressaltou que isso trará mais turistas para o Estado e mostrará o território gaudério para todo o mundo. Urrul, mas devemos comemorar?
A princípio, acredito que não. Se formos pegar o exemplo de São Paulo, que há dois anos realiza a São Paulo Indy 300, estamos ralados. O prefeito Gilberto Kassab investiu R$ 15 milhões em recursos públicos para que a prova fosse realizada. Agora, quer liberar R$ 420 milhões em incentivos fiscais para a construção do Estádio do Corinthians, como preparativo para a Copa do Mundo. Com esse dinheiro, a Folha de São Paulo disse que poderiam ser construídos centenas de postos de saúde e escolas públicas.
Entendeu onde quero chegar? O problema não é a categoria correr nas ruas de Porto Alegre, mas sim o dinheiro público que será gasto com uma prova, em detrimento dos serviços básicos, como saúde pública. O mesmo Kalil Sehbe informou que, para a Copa do Mundo, o Estado liberou R$ 30 milhões de incentivos fiscais para a reforma do Beira Rio. Vem cá, essa obra não deveria ser feito com recursos privados?
Vale ressaltar que o aumento do salário dos professores é baixo: 10,91% neste ano, sendo que a categoria solicitou 16%. Cento e sete municípios não têm acesso asfáltico e é um parto conseguir liberação para estes fins. Para isso, não tem dinheiro, mas para eventos esportivos, sim. Cadê a coerência do discurso?
O Estado tem quatro autódromos: Santa Cruz do Sul, Tarumã, Guaporé e Velopark. Custaria muito menos adaptar um deles do que “construir” um circuito de rua que vai trancar toda a cidade.
E agora? Não tem o que fazer. Resta saber quanto os governos estadual e municipal gastarão nessa “brincadeira” turística.


