Archive for March, 2010

Mais uma prova em São Paulo?

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A Stock Car acabou de fechar um acordo com a cidade de Ribeirão Preto, no interior paulista, para sediar a quinta prova da categoria. A corrida será realizada nas ruas da cidade e, conforme afirmou o Luciano Monteiro, o traçado mais parece um espermatozóide com antenas do que, realmente, um circuito de rua.

Nada contra circuitos de rua. Acho uma das melhores coisas que já inventaram no automobilismo. Mas São Paulo já sedia duas provas da categoria ao ano, ambas em Interlagos. Pra quê mais uma prova no Estado?

Rio de Janeiro tem um autódromo caindo aos pedaços, até onde se fala. Mutilado, usado como praça esportiva dos Jogos Olímpicos, essas coisas. Poderia, muito bem, ter uma prova de rua em solo carioca do que em São Paulo.

Algum vai dizer “Ah, mas o Rio Grande do Sul sedia duas provas”. Sim, sedia. E já acho muito. Santa Cruz do Sul é um autódromo, pelo menos até 2008 – faz muito tempo que não vou àquela cidade – inacabado, restando, apenas, o Velopark em condições de sediar uma prova nacional. Tarumã, por toda a tradição que tem, não rola mais. Os motivos todos já sabem e não cabe a mim ficar repetindo.

Mas, para tudo, tem uma explicação. A Stock Car utiliza, nesse ano, motor com etanol. Ribeirão Preto é fabricante de Etanol. A cidade quer realizar a prova – era uma das candidatas para a SP 300, da Indy – e blá, blá, blá. Que seja, então, uma boa prova. Só que, como diz o Flávio Gomes, vejam se a cidade não tem nenhuma outra necessidade antes de gastar recursos públicos – se é que vai gastá-los…

Ah, na foto, de Carlos Natal, está a Família Gomes, representante de Ribeirão Preto na categoria.

Minha última corrida de kart

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Lembro como se fosse hoje. Cheguei quase às 14 horas no Velopark. Naquele longiquo dia 29 de março de 2008 estava sendo inaugurada a pista de competição do maior complexo automobilístico da América Latina, em Nova Santa Rita. Uma área enorme: 130 hectares no total; quase 70 campos de futebol destinados, apenas, ao automobilismo.

O dia estava quente. Cheguei, junto com Marcelo Matusiak, dono da PlayPress – era meu chefe na época – atrasado. Era para estarmos lá uns 20 minutos cedo. Eduardo Tomedi, do Curva1.com, olhou para mim e deu um leve xixi, do tipo “isso é hora de chegar, meu?”. Quase não o reconheci: estava trajando um macacão branco com detalhes em laranja. Estranhei, pois o dele era preto nos membros e amarelo no peitoral – no canto esquerdo, um pouco acima do coração, estava o símbolo da equipe Papa Léguas de kart. “É emprestado, porque o Piero (Perizzollo, outro amigo nosso) está com o meu”, disse. Não me fez a maior diferença.

Fomos, Marcelo e eu, nos cadastrarmos no sistema do Velopark. Tira foto daqui, preenche ficha dali, pega equipamentos de lá. Uma coisa maravilhosa, diga-se. Meu crachá está comigo até hoje, e me dá entrada gratuita em qualquer corrida de kart. Pelo menos foi o que me disseram.

Em menos de 15 minutos, lá estava eu. Sala de imprensa cheia. Coloquei o macacão – membros na cor preta e peitoral na laranja – e, junto com os demais, fui para o paddock. Encontrei Erno Drehmer, do Kart Gaúcho, que também era diretor de provas naquele momento – além das corridas dos jornalistas, foi diretor das competições dos pilotos legendários e das 500 milhas do Velopark. Não pude deixar de encher o saco dele para saber qual era o meu kart. Ansiedade a mil.

A hora da classificação

Eram muitos os jornalistas e a organização dividiu a galera em dois grupos. Os vinte melhores seriam classificados. Os outros, teriam de se contentar em ver pelo telão. Meu medo era justamente o de fazer parte do segundo grupo: fazia três anos que não guiava um kart.

Coloquei a balaclava. Peguei o capacete do Tomedi emprestado – ele era do primeiro grupo – e coloquei. Sentei no banco do kart. Um dos mecânicos do Velopark foi lá e ligou o motor. E como foi bom ouví-lo gritando novamente. Não posso deixar de dizer que me emocionei. É claro que me emocionei. Sempre gostei de competição automobilística, mas o máximo que consegui foi participar de um campeonato amador – uma vitória, yeah -, lá pelos idos de 2004/2005.

Dois amigos meus, ambos pilotos, foram me dar dicas. Carlos Eduardo, o Cadu, também chamado de “Sucatinha”, me disse: “Não freia enquanto contorna a curva”. Bruno Rodrigues, já meio grogue da champanha, não disse nada de importante. Só disse “O cara nem correu e já tá arranjando desculpa”. Isso porque, antes mesmo de acelerar, já estava no muro das lamentações…

Desenferrujando

O Erno liberou o segundo grupo. Em linha, fomos para a pista. A primeira curva era um grampo, à direita. Depois, se não me engano, vinha uma leve curva à esquerda, seguida demais uma à direita, acompanhada de uma puta reta. Mais adiante, mais uma curva à direita. O resto eu não sei.

É, acho que não lembro “detalhadamente” aquele dia 29 de março de 2008…

Foram poucas as voltas. Três no total. Não acertei a mã0 em nenhuma delas. Quando foi dada a bandeira quadriculada, ainda perdi a entrada dos boxes e entrei onde normalmente a galera sai. O Bigorna, um dos bandeirinhas, começou a rir da minha cara. E eu batia na cabeça: além de lento, era burro.

Desci do kart ainda nas lamentações. Era visível a minha decepção – e minha apreensão. Fui para a sala de imprensa. Os tempos totais não haviam sido computados. Depois de um certo tempo – que para mim pareciam horas – vi lá, meu nome, estampado entre os classificados.

Quase chorei, é sério. Depois de tanto tempo sem correr, era praticamente um Michael Schumacher – mas sem aquele brilho todo.

A hora da verdade

Também não lembro a posição que larguei. Foi entre 15º e 20º. Logo à minha direita, estava Ney Tessari, da All Kart.net. O Tomedi estava um pouco mais à frente, mas não muito à frente. Matusiak, não lembro, também estava na frente.

Meu forte, nas corridas, sempre foi a largada. Enquanto Tessari brincava com o acelerador, as luzes apagavam. Ele ficou e eu dei o bote. As duas primeiras curvas – uma leve chicane – foram tumultuadas, mas mesmo assim mantive a concentração e pulei diversas posições. Não posso confirmar, porque não tenho telemetria, mas eu estava entre 8º e 10º no fim da primeira curva.

Nas cinco primeiras voltas, vi meus adversários se tocarem, se ultrapassarem, se jogarem para todos os lados. Eu, vez em quando, tentava me aproximar. Ultrapassava um daqui, era ultrapassado dali. A maior diversão – ao contrário da primeira corrida do Bruno Senna na Fórmula 1.

Porém – sempre tem um porém nas minhas histórias – nem tudo são flores.

Um pouco antes da metade da prova eu freei bruscamente e meu kart rodou. Aquelas vozes do Tomedi, do Cadu e do Bruno zombando nos meus ouvidos “como é que tu consegue rodar com um kart?” permanecem até hoje em minha mente. Rodei, fui para a grama, arrancando um pedaço, e o carrinho estacionou por ali. Desesperado para não perder posições, nem esperei o socorro dos bandeirinhas. Saí do kart e empurrei-o para a pista… bem, na verdade, eu tentei, porque o negócio era pesado pra cacete.

Consegui voltar para a pista e acelerar. Não perdi volta, mas sim muitas posições. Caí para a última colocação.

Aos poucos, recuperei algumas posições. Mas foram pouquíssimas. Assim como as ultrapassagens, em pouco tempo foi dado o término da prova. Dessa vez, acertei o caminho dos boxes.

Saí do kart exausto. Os dedos não esticavam. As pernas estavam dormentes. Meu rosto, muito desanimado – pelo meu desempenho. Após alguns minutos, o resultado: décimo sétimo lugar. De 20, fiquei em 17º. Seria legal, caso um piloto não tivesse desistido de competir e outro não fosse desclassificado pela direção de prova.

Não foi uma volta estilo Michael Schumacher, mas nem por isso deixou de ser divertido. Apesar da decepção com meu desempenho, foi bom sentir a velocidade do vento passando pelo capacete. O ronco daquele motorzinho entrando no teu ouvido. O teu coração palpitando cada vez mais forte, por causa da adrenalina. Meu rosto poderia ser de abatido, mas o meu sorriso de orelha a orelha mostrava o quão feliz eu estava com aquele momento.

Tenho que deixar de ser pão duro e me organizar para voltar a competir nesse ano. Não que eu me arrependa, mas é foda ficar longe tanto tempo. Mas eu sei que isso dificilmente acontecerá: além de pão duro, sou cabeça-dura.

Sangue de campeão

Esse aí é ligado com o Rio Grande do Sul, apesar de paranaense. Nasceu em Pato Branco, terra do jogador Alexandre Pato – aquele que jogou no Inter (blergh) e foi campeão do mundo “Fofa” pelos alvi-rubros do arroio. Não apenas isso. Torce por um time gaúcho. Mas não qualquer time gaúcho. Torce pelo Grêmio, o primeiro campeão do mundo – intercontinental é o c$%@*&o – em 1983. Estou falando de Gabriel Casagrande.

O piá está em solo gaúcho neste fim de semana. Vai participar da etapa de abertura do Campeonato Sul-brasileiro de Kart, em Farroupilha. As provas serão realizadas no domingo, com participação de pilotos do Paraná, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul, de Goiás, de Tocantins, de São Paulo, de Rio Grande do Norte e do Mato Grosso. Ah, e tem um brazuca que reside nos Estados Unidos, também.

E, se depender do retrospecto, o guri vai levar o caneco. Tudo porque Casagrande fará uma homenagem ao Imortal Tricolor. O kart é todo azul. O número é o 83 – e não precisa nem explicar o porquê. E, pra fechar, vai correr com uma camiseta do Grêmio debaixo do macacão.

“Coincidentemente ganhei este ano uma camisa do Grêmio com o número 83. A usei no último dia 14 em Cascavel, na abertura da Copa Paraná. Ela me deu sorte. Venci a corrida e espero repetir a façanha em Farroupilha”, salientou.

A notícia saiu no Final Sports.

Rally dos Sertões feito por avião

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Um avião, aparelhos de GPS, talvez uma luneta e alguém que saiba fazer topografia. Provavelmente essas foram as ferramentas utilizadas pelos organizadores da 18ª edição do Rally Internacional dos Sertões. De acordo com o informativo encaminhado pela assessoria de imprensa do evento, o trabalho foi todo realizado por avião. “Rendeu como esperado e, mais uma vez, o nível técnico da maior aventura brasileira vai ser superado”, segue o texto. Marcos Moraes, organizador da prova, e Edu Sachs, diretor técnico, foram os responsáveis pelo “traçado” e disseram ter poucas dúvidas sobre o que os competidores terão entre os dias 10 e 21 de agosto.

Para Moraes, a prova permanecerá em um “excelente nível técnico até o seu final”. “O ponto alto vai ser a etapa maratona, que totalizará 700 quilômetros sem apoio mecânico, num circuito extremamente técnico, de areia, altas temperaturas e navegação por GPS.”

O organizador afirma que serão três dias difíceis de prova. “A oitava etapa terá um pouco menos de dificuldade, mas também será muito boa, pois apresenta o diferencial de acontecer em serras, com trechos sinuosos. A nona e a décima etapa serão menores, mas bem duras, típicas de caatinga do sertão, e exigirão um nível altíssimo de navegação”, disse. Segundo ele, serão várias opções de estradas paralelas, que se cruzam, e quem errar a navegação corre o risco de se perder. Safadziiiiinhos…

Três cidades que receberão o evento foram reveladas: Goiânia (GO), Palmas (TO) e Fortaleza (CE). O restante o pessoal vai descobrir durante a prova. Vai que até descubram um novo território e façam uma emancipação?

Em abril, os organizadores, para não haver erros durante a realização do Rally dos Sertões, farão o traçado por terra. Sabe como é, para ter mais garantia e não ter problemas como a pista da Indy em São Paulo, que foi planejada, praticamente, por olhômetro.

Do Pampa para os Iu-é-sei!

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Nada como competência, velocidade e dinheiro. O gaúcho Pedro Gomes, da Targh 400, que no sábado participou das aberturas da Copa Gaúcha e do Velopark Cup – sediado no complexo esportivo de mesmo nome, só sem o “Cup” -, segue o rumo para os Estados Unidos. Gomes embarcou hoje para a terra do dinheiro para participar do Florida Winter Tour, na categoria Rotax Master.

A etapa final é composta de duas pré-finais e duas finais. O evento acontecerá no kartódromo Ocala Grand Prix, na cidade de mesmo nome, mas sem o “Grand Prix”, no Estado da Flórida. “A exemplo de minha estreia no kartismo americano, competirei em um kartódromo desconhecido para mim”, diz ele, que disputou a etapa anterior do FWT, sua primeira corrida em solo americano.

A única “peça” conhecida por Pedro Gomes em solo estadunidense é o kart. O motor e os pneus são de marcas diferentes e as reações distintas do que está acostumado nas terrinhas daqui. “A primeira vez foi um pouco mais difícil. Mas agora já me adaptei e espero terminar bem colocado, se possível entre os seis primeiros, nas duas finais”, pretende Pedro Gomes.

Cerca de 20 competidores deverão disputar a última etapa do Florida Winter Tour na categoria Rotax Master.