Archive for October, 2009

Stock Car (quase) revive pesadelo

iserhard-acidente-curitiba

Faltavam cerca de 20 minutos para as 15 horas. Na pista, os pilotos da Pick-Up Racing estavam a poucos minutos de encerrar a ante-penúltima etapa da categoria no ano. Até que, após uma relargada, a “família” Stock Car quase reviveu o pesadelo de 2007.

A bandeira verde foi agitada. Julio Campos e Fabrício Lançoni se afastam dos concorrentes. O gaúcho Rafael Iserhard, então em quarto, dá o bote em Thiago Riberi. Acelera com mais rapidez, coloca o carro à direita do adversário e não arreda o pé. Riberi não tinha mais o que fazer, a não ser deixar a posição para o concorrente.

Primeira perna do S do circuito de Curitiba feita para a direita, depois esquerda, para mais uma vez ir para a direita. Aceleração forte para fechar a volta, já que é no anel externo. Na última curva, que antecede a reta dos boxes, Riberi dá um leve toque em Iserhard. “Ele deu uma freada antes do normal e não pude evitar, mas cuidei para ser manobra limpa”, disse o piloto à Rede Vida, transmissora da Pick-Up Racing na tv aberta.

Iserhard balança, mas não roda.

Ambos vão para a reta principal. Riberi sai melhor e coloca o carro à esquerda do gaúcho. Ambos mantém a linha até cruzarem a linha de chegada. Após cruzá-la, a manobra arriscada e irresponsável.

Riberi, como quem estivesse vingativo por ter sofrido o bote na volta anterior, começa a espremer o adversário. Sem saída, Iserhard vai para a grama. Não apenas com duas rodas, mas com as quatro. Vira passageiro.

O adversário volta para o traçado normal, sem ver o que acontecia atrás dele.

Iserhard não tinha mais o que fazer. Frear, girar o volante, nada adiantaria. O seu carro bateu violentamente contra o de outro adversário, que saiu da prova ainda na primeira volta após uma pancada com o também gaúcho Vitor Genz. Destroços da carenagem, feita de fibra de vidro, voam pelos ares. O carro parado vai para a beira da pista, enquanto o de Iserhard atravessa o asfalto e bate na mureta de proteção, forte.

A bandeira vermelha é acionada e o coração de todos dispara. Em 2007, também por um toque de um adversário, Rafael Sperafico bateu de forma violenta contra a mureta de pneus. Seu carro foi lançado para o meio da pista, onde foi acertado no lado do piloto por outro concorrente. Morreu na hora.

Se eu já fiquei com um “puta que pariu, de novo não” em meu sofá, imagina quem estava no circuito paranaense. Graças a Deus, Iserhard não teve nada de muito grave. Dizem que sofreu apenas alguma lesão.

Enquanto uns criticam Riberi, chamando-o de irresponsável e dizendo que deveria ser banido do esporte a motor, outros se perguntam o que aquele carro, abandonado ainda na primeira volta da competição, estava fazendo naquele lugar. Um local de velocidade rápida. Um local em que qualquer um pode perder o controle do carro – ainda mais com os toques em excesso que as categorias de turismo proporcionam. Um local em que mais uma vida poderia ter sido ceifada por uma irresponsabilidade dos dirigentes.

Até agora ninguém respondeu ao blog o que aquele veículo fazia ali. Provavelmente não responderão. Mas a crítica fica aqui – sem, também, criticar Riberi.

O piloto perdeu a quarta colocação. Fechou a prova em décimo. A punição foi muito leve para uma atitude de conseqüências graves. Nelsinho Piquet, por muito pouco, foi praticamente defenestrado da Fórmula 1 pelos próprios colegas de profissão. O que será que acontecerá aqui no Brasil?

Crédito da foto: Fernanda Freixosa/WE

Da sorte ao azar e vice-versa

Dois pilotos viveram extremos no fim de semana passado. Um teve a visita da sorte no sábado à tarde. Mas ela resolveu pular a cerca e se arranjar com outra pessoa. Logo no domingo. Parece até que tudo o que é feminino é traiçoeiro – o que não é verdade.

Rubens Barrichello, como todo mundo já sabe, chegou com uma tarefa muito difícil na penúltima etapa da Fórmula 1. Precisava descontar, no mínimo, cinco pontos para poder chegar a Abu Dabhi com alguma chance de levar o caneco mundial. Remotíssima chance, vale relembrar.

Mas no sábado, tudo deu certo para o brasileiro e sua Brawn. Marcou a pole-position em uma classificação tumultuada. Aquela coisa que todo mundo sabe porque isso já é notícia passada.

Jenson Button foi o contrário. Foi degolado no segundo “qualify” e teve de largar na 14ª posição. O que deveria fazer era se manter na pista durante a prova e contar com a sorte de várias batidas e erros de boxes e blá-blá-blá.

Barrichello chegou no domingo com pinta de herói. Button, com pinta de vilão derrotado. Mas a sorte de Barrichello resolveu não brilhar mais e a corrida foi o que todo mundo viu.

O brasileiro, infelizmente, não tem aquilo que todo campeão precisa ter: sorte na hora certa. E a pole position não foi sorte. Foi competência, pura e simplesmente. Sorte, aliada à competência, teve Button. Subiu cinco posições em uma volta e em poucas já estava nos pontos.

E, assim como ano passado, o título foi decidido no Brasil e o campeão ficou com o quinto lugar. Em 2008, Lewis Hamilton terminou a prova tupiniquim nessa posição e fechou o campeonato com 1 ponto de diferença para Felipe Massa.

Informação inútil.