Archive for July, 2009

Williams e as tragédias

Mil novecentos e noventa e quatro. Dia 1º de maio daquele ano. O Williams patrocinado pela Rothmans do Ayrton Senna, na sétima volta, não contorna a curva Tamburello, devido a quebra da barra de direção. Se choca contra o muro violentamente. A roda dianteira direita voou contra a cabeça do tricampeão mundial de Fórmula 1, matando-o ali mesmo – e Bernie Ecclestone, na sua filhadaputice, “adiou” o anúncio da morte para depois do GP de Ímola daquele fatídico ano.

Dois mil e nove. Dia 19 de julho. Henry Surtees, 18 anos, pilotava seu F2 em Brands Hatch quando o adversário Jack Clarck se choca contra o muro. Uma roda se desprende do chassi do monoposto e começa a pular na pista. Atinge uma certa altura e, assim, é acertado pela cabeça do filho do campeão mundial de 1964, John Surtees.

O que há de semelhante entre os fatos de 1994 e 2009? Não foi apenas um pneu solto atingindo a cabela de um piloto. Ambos os carros eram construídos pela Williams. Em 1994, a equipe oficial. Neste ano, a equipe inglesa foi contratada como única construtora dos monopostos.

Naquela época, não tinha nenhum item de segurança no regulamento obrigando a adição de cabos firmes e resistentes a choques a 300km/h que evitem a desintegração total das rodas. Hoje existe e qualquer pneu que se desprenda do chassi dos Fórmula 1, salvo algum engano, é motivo de multa para a equipe.

Segundo Antônio Pizzonia, no Twitter, ele acredita que os cabos de segurança nas rodas são obrigatórios em todos os campeonatos. Não sei se é verdade, mas se for, a Williams corre um sério risco de ter seus carros novamente sob investigação devido a uma morte. Se não for, resta aos organizadores da competição exigir mais seguranças, já que a Fórmula 2 é uma categoria de base, praticamente uma tentativa de acesso, a quem pretende ingressar na Fórmula 1.

Mas como disse alguns posts abaixo: estamos em um mundo em que o pessoal prefere remediar. Não prevenir.

A dor de enterrar um filho

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Meus pais sempre disseram: filho a gente cria para o mundo. A gente nasce, cresce e enterra nossos pais. Dói, a gente chora, xinga Deus por tê-los levado. Mas ele vem aqui e diz que é assim que as coisas são, que é o natural do mundo. O que se deve fazer é: levar todos os ensinamentos que nos deram para a vida e usá-los como exemplo ao criarmos nossos (futuros) rebentos.

Só que o mundo é cruel. O mundo gosta de pregar peças nas nossas vidas. Gosta de mostrar que o natural nem sempre ocorre e que quem sai maxucado era uma pessoa inocente. Ou quem morre era uma pessoa inocente. São coisas da vida. Revoltantes, mas coisas da vida.

E eis que a vida quis dar um golpe em John Surtees, campeão mundial da Fórmula 1 na temporada de 1964. Viu seu filho Henry nascer, competir de kart dos 8 aos 15 anos, iniciar no automobilismo há dois anos e sonhar em fazer, pelo menos, 10% do que o pai fez na Fórmula 1.

Com certeza, se espelhou no pai para a sua carreira e queria, quando enterrá-lo, dizer “Pai, obrigado por tudo”. Mas não foi isso que aconteceu. O que provavelmente ocorrerá é John perguntar a Deus o por quê de tudo isso. O que ele quer da vida dele.

Minha mãe, uma vez, me falou que a pior coisa que tem é um pai ver o filho ser enterrado. Nunca vi isso, mas acredito que ela tenha visto. E John deve estar, agora, sem saber o que fazer. Provavelmente, pensando em ir lá bater um papo com Deus e, se possível, atropelá-lo com um Fórmula 1.

Henry Surtees morreu aos 18 anos, após um acidente na Fórmula 2. Notícia que ninguém gosta de dar, mas tem que.

Que descanse em paz.

Os perigos do automobilismo

O automobilismo é um esporte perigosíssimo. Final de 2007 nós acompanhamos isso diretamente aqui no Brasil. No dia 9 de dezembro daquele ano, Rafael Sperafico competia pela Stock Car Light. A prova, a última, era em Interlagos.

Rodou na última curva do circuito, possivelmente após um toque de um adversário. Atingiu a mureta de pneus, mas o carro ricocheteou. Ao voltar para a pista, Renato Russo não teve como desviar e atingiu em cheio o carro com chassi tubular e carenagem de fibra de vidro. Com a força do impacto, Rafael morreu na hora, aos 27 anos.

Não faz muito tempo, um mexicano também morreu em um acidente automobilístico. Carlos Pardo liderava uma das provas da Nascar mexicana, ocorrida no dia 15 de junho. Após um toque, comum em provas de carro estilo “turismo”, bateu forte em um muro que ficava na área de escape. Com a força da porrada – ele estava a cerca de 200 km/h – o veículo ficou completamente destruído.

E eis que hoje, mais um acidente que, infelizmente, pode trazer mais uma vítima. Henry Surtees, de 18 anos, fazia sua prova na Fórmula 2, quando foi acertado pelo pneu que soltou do monoposto de um adversário após um choque no muro. A roda se desprendeu com o choque, voltou para a pista “saltitando”. Surtees não conseguiu desviar e atingiu com a cabeça a “peça”.

As imagens, de início, não são fortes ao ponto de te fazer ficar em choque. O problema é o depois.

O piloto, inconsciente, mantém os pés no acelerador e bate de frente no muro. O carro vai para a grama, dá um giro e qualquer um com um pouco mais de atenção percebe que a roda traseira direita continua a tracionar.

Segundo a organização da Fórmula 2, o piloto está sendo tratado em um hospital de referência na Inglaterra, onde ocorreu a prova. Porém, percebe-se o transtorno dos dirigentes nas declarações da nota divulgada à imprensa.

O incrível é que os carros dessa categoria são projetados pela Williams, a mesma que compete na Fórmula 1. Na categoria principal, existe uma regra que diz que, quando há um choque forte, os pneus não podem se desprender. Os projetistas sabem como fazer isso, tanto que na Fórmula 1, dificilmente vemos pneus saindo a revelia nos momentos dos acidentes. O cuidado deveria ser o mesmo nas categorias de base.

Torço para que o piloto não morra, mas espero que o pessoal aprenda a tomar atitudes preventivas, não precisando de ocorrências fatais para tal. O problema é que estamos em um mundo em que o povo insiste em remediar, não em prevenir.

Top Race (finalmente) no Brasil

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A Top Race, uma espécie de Stock Car argentina, finalmente desembarcará no Brasil. A categoria fará parte do intercâmbio com a Fórmula Truck. A primeira aparição em terras tupiniquins será nesse domingo, 19. Entre os pilotos que competirão em solo brasileiro está Jacques Villeneuve, campeão da Fórmula 1 de 1997.

Faz tempo que a vinda da Top Race está para ocorrer. Não lembro o ano certo, mas acredito que entre 2005 e 2006 a Pick-Up Racing, antes de passar a ser controlada pela Vicar e virar praticamente a ovelha negra da “família Stock Car”, tentava esta parceria. Os anúncios foram vários, mas as tratativas fracassaram.

Ao todo, competirão em Interlagos 39 carros. Será que é mais competitiva e divertida que a Stock Car Brasil?

A (provável) demissão de Nelsinho

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Como já deves ter lido tem outros lugares – aqui, aqui e aqui – e deves ter visto o GP da Alemanha pela Globo neste fim de semana, deves ter percebido que a situação do Nelsinho Piquet na Fórmula 1 não é das melhores. Aliás, parece ser a pior. Não vou discorrer aqui sobre os porquês da demissão – as fontes dos links que passei são mais confiáveis devido à experiência de quem escreve do que eu, que nunca acompanhei ao vivo uma corrida da categoria-mor do automobilismo mundial, nem mesmo como espectador -, mas, sim, sobre a minha visão de como Nelsinho chegou até a categoria.

Dizer que a chegada na Fórmula 1 ocorreu só por causa do sobrenome do pai, ou por causa da grana nele investida, é ser ridículo. Pouquíssimos pilotos ingressam na categoria só por causa do dinheiro. Ok, a categoria é cara e alguns pilotos compram lugares, mas não é o caso do brasileiro, ainda piloto da Renault. Nelsinho é bom. Foi campeão em diversas categorias, desde o kart até a Fórmula 3 britânica. Não venceu a GP2 porque o seu adversário direto era Lewis Hamilton.

O porém é que Nelsinho não chegou preparado na categoria para ser segundo piloto. Nelsão, o tricampeão mundial do certame, sempre montou equipes para que o filho fosse o primeiro piloto. Com exceção do kartismo – que até hoje, ao que parece, é cada um por si -, Piquet-Pai e a Autotrac sempre estiveram presentes na Fórmula 3 Sul-Americana, na Fórmula 3 britânica e na GP2. E, em todas elas, Nelsinho era o primeiro piloto. Ou seja: tinha todas as regalias possíveis, como o melhor carro, a melhor preparação, o melhor quarto, a melhor comida… se ratear, até a melhor mulher.

Quando pisou na Fórmula 1, viu que o mundo seria diferente. Não só seria, como foi. Foi relegado ao posto de segundo piloto porque, simplesmente, ao seu lado está o bicampeão do mundo pela, nossa-que-puxa!, Renault, Fernando Alonso. E, diga-me: à quem tu darias todos os privilégios? A quem foi bicampeão por tua equipe-empresa, ou a quem recém chegou e não mostrou nada?

A resposta mais lógica é a preferência pelo primeiro. Independente da grana que seja injetada. Nelsinho tinha, por obrigação, fazer um campeonato não melhor, mas pelo menos próximo, do companheiro de equipe. Mas não foi. Tomou sufoco em 26 corridas. Ficou atrás na maioria delas. Só largou uma vez na frente de Alonso. Deu show de rodadas e batidas. Foi aí que começou a desandar a coisa.

Nelsinho, se não for demitido na Hungria, será na próxima. E, com certeza, Flávio Briatore ficará muito feliz. Provavelmente quem ocupar o lugar do brasileiro – Romain Grosjean é o nome – trará, ao que tudo indica, mais competência.