Archive for April, 2009

Dia longo

Porto Alegre (para todos os gostos) – Para quem gosta de automobilismo de todas as cores, de várias idades, de muitos amores, vai ter um problema neste domingo. Serão quatro competições, ao menos, realizadas quase que simultaneamente. A primeira delas é a Fórmula 1, com início às 9h e transmissão ao vivo pela Rede Globo.

Para os vespertinos, as atrações são as seguintes: GT3 Brasil, às 12h; Fórmula Truck, às 12h45min. A Stock Car, que até ano passado tinha todas as etapas transmitidas pela Global, vai ter um compacto transmitido no Esporte Espetacular. O que significa que, provavelmente, a prova começa no decorrer da Fórmula 1.

Produto chinês

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“God save the energetic liquids”

Quando eu tinha entre 8 e 12 anos era fã de Cavaleiros do Zodíaco. Passava horas e horas na frente da televisão para assistir o anime japonês na extinta TV Manchete. Era um saco, porque o programa tinha cerca de uma hora, divididos em três blocos em que cada intervalo durava cerca de 10 minutos. Dava tempo de fazer um miojo e comer durante uma das partes do capítulo. Mas eu gostava.

Sim, gostava muito. Tanto é que eu tinha cerca de sete bonecos da saga. Só que, destes, apenas três eram originais, comprados com muito suor pelos meus pais como presente de Natal. A também extinta Superfestas (lugar de brinquedo, lugar de criança) cobrava R$ 45 por exemplar. Os três primeiros foram o Ikki de Fênix, o Milo de Escorpião e o Aiolia de Sagitário. Fiquei feliz pra caramba, mas meus pais não. Foi muito caro aquele Natal para eles.

Assim, descobri os camelôs. Perto do colégio em que eu estudava tinha um. Dentre os vários artigos que poderia comprar, inúmeros eram os bonecos dos Cavaleiros do Zodíaco. Não resistia. Juntava dinheiro do lanche que recebia e, ao final de um mês, levava um para a casa. Afinal, os brinquedos eram três vezes menor que o original. Mas e daí?

Não entendia o que dizia a caixa. Por quê? O produto vinha em língua chinesa. Sabe como é, né? Terra dos produtos genéricos, mas mais baratos.

Agora, tem gente tentando entender porquê, durante o pódio do Grande Prêmio da China de Fórmula 1, a organização tocou o hino britânico em vez do austríaco – para quem não sabe, a Red Bull, que venceu com o piloto Sebastian Vettel, é austríaca. Ora, estamos falando da China. Se alguns brinquedos que deveriam falar, em vez de inglês ou português, vêm em espanhol, não seria diferente em se tratar de competições automobilísticas, não?

Cada uma que aparece. Tem que explicar tudo para essas pessoas…

E aí?

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E aí que eu acabo de ler no blog do Flavio Gomes que Norbert Haug, o bam-bam-bam da Mercedes-Benz, declarou que Bruno Senna não estava comprometido com o compromisso que havia firmado com a montadora alemã. Segundo o brasileiro, Haug não confirmou um bólido para ele na Fórmula 1 na temporada seguinte.

E aí que o dirigente disse o seguinte: “Nós tentamos, mas, se você quer mergulhar nisso, você precisa estar entusiasmado, precisa sonhar dia e noite, e talvez ele não sonhe dia e noite com isso. Mas é justo, tudo bem”.

E aí que Haug não chutou 100% o balde. A preferência do Bruno Senna pela categoria máxima de monopostos em vez de experiência no automobilismo não inviabiliza uma oportunidade futuramente. “Respeito totalmente a posição dele, mas eu espero que em meio ano ele diga ‘eu deveria ter feito isso’. Nós ainda podemos encontrar uma solução, e se depois do primeiro treino em Hockenheim um chefe de equipe ligar o convidando para pilotar seu carro, ele estaria livre”, continuou.

E aí que eu acho que o Bruno Senna cavou um pouquinho a sua cova. Por mais que o dirigente da Mercedes diga que não está magoadinho, ambição demais nem sempre é bom. Como disseram nos comentários no blog do Flávio Gomes, nem entrou na categoria e já quis sentar na categoria. Vale lembrar que a montadora alemã, além de uma parceria firme e forte com a McLaren – pelo menos até o julgamento -, tem também com a Force India e um pouco com a Brawn GP. E Barrichello, apesar de não estar sendo aquilo que esperávamos, não está decepcionando ao ponto de ser trocado. Fisichella sim, mas essa atitude de Bruno pode ter colocado uma pá de cal.

E aí que, se Bruno quiser competir na Fórmula 1, deverá torcer por um tropeço de Sebastien Bourdais na Toro Rosso, já que, apesar de ter chances, são mínimas a de substituir Nelsinho Piquet na Renault. A equipe francesa já tem o piloto de testes Romain Gosjean e também Lucas di Grassi, que fazia parte do programa de desenvolvimento de talentos – algo tipo “American Idol” e “Britain’s Got Tallent” do automobilismo.

Bruno Senna na Fórmula 1 em 2009?

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Porto Alegre (é o que parece) – A notícia saiu no Grande Prêmio, que saiu no SID e que agora está aqui. Bruno Senna pode competir na Fórmula 1 ainda nesta temporada. Não é de se duvidar que isso possa acontecer. Há vários pilotos que, em três provas, já decepcionaram seus chefes. Kazuki Nakajima, da Williams, Sebastien Bourdais, da Toro Rosso, Giancarlo Fisichella, da Force India, e Nelsinho Piquet, na Renault.

Apesar destes nomes, a agência SID diz que quem pode ser a vítima de Bruno Senna é Rubens Barrichello. Duvido. O brasileiro detentor do maior número de provas disputadas na história da Fórmula 1 pode não estar fazendo bonito, mas não está decepcionando. Trocar um piloto bom, que tem o que contribuir para uma equipe nova como a Brawn GP, é dar um tiro do pé – e não estou sendo emocional aqui, apenas racional.

Como o Senna Sobrinho tinha um acordo com a Mercedes – ele desistiu de competir na DTM este ano para continuar com foco na F1 -, era viável que substituísse Fisichella na Force India. Não é uma equipe grande, então a pressão não será grande. Mas, ao que parece, o acordo foi desfeito e agora Bruno pode topar com qualquer coisa. Quem eu acredito que possa substituir? Bourdais, na Toro Rosso e Piquet, na Renault. Porém, é provável que Piquet seja chutado e entre Lucas di Grassi em seu lugar. E ir para a Toro Rosso seria muito melhor que uma Force India.

Barrichello, acredito, continua na categoria.

As dificuldades de se conseguir um patrocínio

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O automobilismo gaúcho iniciou a temporada 2009 neste domingo. A maior preocupação para este ano era a seguinte: conseguiria o Campeonato Gaúcho de Marcas e Pilotos, em tempos de crise, colocar mais do que 30 carros no grid? A resposta, segundo a assessoria de imprensa, foi positiva. Neste domingo, 19 de abril (parabéns pelo aniversário, mãe), 37 foram os veículos inscritos na prova. A vitória foi de Analino “Choka” Sirtuli. O piloto de Gravataí conseguiu levar seu Gol de número 8, cores prata-laranja-amarelo-em-desenho-desproporcional ao lugar mais alto do pódio na soma de tempos.

A maior preocupação – da organização, diga-se – foi derrubada, como se viu no parágrafo acima. Mas a de alguns pilotos, não. Isso porque, como se viu em exemplos internacionais, em tempos de crise as empresas costumam retirar os investimentos justamente em um dos marketings mais baratos que existem: no esporte. No caso do automobilismo não foi diferente. A Honda saiu da Fórmula 1. Subaru e outras montadoras desistiram do Mundial de Rally, além da Audi desistindo da American Le Mans Series.

O que se sabe é que no esporte motor brasileiro, principalmente nos regionais, os investimentos são mínimos. Pilotos reclamam que os empresários têm olhos fechados para este tipo de marketing. Colocam a culpa na falta de visibilidade na imprensa tradicional. Já os veículos de comunicação de massa são claros: o esporte não é atratativo. E normalmente nós, que estamos envolvidos por amor na divulgação desse esporte – como o caso do Cockpit Gaúcho, do Curva1.com, e de outros sites -, percebemos que um dos motivos é simples: os pilotos não sabem trabalhar a imagem.

Não que isso seja culpa deles. É sabido que a maioria tira o investimento do próprio bolso, pois são preparadores de carros, mecânicos, (micros-médios-grandes) empresários. Poucos são aqueles que saem do nada e ficam em busca de patrocínio para, assim, poder realizar o sonho de dividir as curvas com carros em alta velocidade. Que diga Eduardo Tomedi, que há cerca de cinco anos tenta, tenta, tenta, mas normalmente nem um retorno de “não queremos investir em ti” recebe dos empresários.

Para entender um pouco do que estou falando, basta ir em qualquer autódromo gaúcho em uma das provas do Gaúcho de Marcas e Pilotos. Muitos dos carros possuem, pelo menos, um adesivo de empresa – normalmente a dele ou de um amigo/parente -. Isso possibilita uma (pequena) identificação do público com um piloto que ele possa acabar se tornando fã. O problema, porém, não está na divulgação durante os pífios 50 minutos – 25 para cada bateria realizada – de duração da prova. Está muito além.

Os pilotos normalmente não ficam apenas nos boxes. Vão passear com a família nas curvas, para poderem, assim, ver as outras categorias que competem. Porém, tiram o macacão e caminham como se fossem apenas espectadores, ou então até vão com as vestimentas de pilotos, só que lisas. O que, claro, não possibilita a identificação do público com aqueles que vêem correr.

Pesquisas mostram que o público aficionado por automobilismo busca informações sobre este esporte nos sites – já que a imprensa tradicional fala só de Fórmula 1 e, de vez em quando, da Stock Car e da Fórmula Truck. Muitas das fotos interessantes não são apenas do “carro em atividade”, mas sim do lado humano: aquele abraço no preparador, aquela vibração no teto do veículo e até mesmo aquele chororô básico no pódio.

E é aí que se vê o problema: como é que o empresário, que investe uma grana – pode ser alta ou pequena, valores aqui não são importantes – terá a certeza de que está realmente fazendo parte de um marketing interessante se, nas horas em que podem aparecer, não o fazem justamente porque os macacões, capacetes, estão lisos? Ou, em outros casos, usam vestimentas de outras empresas porque (vai saber o que aconteceu) a “original-lisa” estava na máquina de lavar roupas por causa das sujeiras?

destaqueAutomobilismo, ao contrário do que algumas pessoas dizem, é uma ótima forma de promover uma marca. Porém, para isso, é necessário que ela seja visualizada nos maiores espaços possíveis. A empresa tem de ser exposta não apenas no carro, mas no macacão, na camiseta do piloto, na camisa da equipe. “Mas tudo isso custa dinheiro”, podem dizer alguns. Certo, custa. Mas, para isso, é que existem as propostas de patrocínio, em que ali estão discriminadas quais as vantagens de um investimento neste tipo de esporte.

Enquanto os competidores continuarem com a visão unilateral, de que apenas o carro é a forma de divulgação, muitos bons pilotos continuarão não competindo. Por quê? Porque os empresários continuarão com aquele pensamento de que automobilistas não sabem divulgar marcas.